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Medo

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Psicologia
data: 16/09/2009

Atendendo à sugestão da leitora Poliana vamos fazer uma reflexão sobre o medo. É freqüente que muitas pessoas sintam vergonha de ter medo. Sentem-se inferiores, fracas, incompetentes. Como se a pessoa de fato segura, autoconfiante, forte, é alguém que não sente medo, que enfrenta os desafios e obstáculos calmamente, com firmeza. Na realidade dificilmente vivemos sem sentir medo. O que existe são diferentes proporções de dois sentimentos dentro de nós: medo e coragem. O individuo corajoso não é aquele que não sente medo. É aquele que age, apesar do medo. Ele vai adiante, tenta, não desanima apesar de não ter certeza se vai dar conta, apesar de saber que pode cometer erros graves, ou mesmo fracassar. Mas ele quer tentar, não se deixa paralisar pelo medo.

Diante de tarefas que são totalmente novas não há como não sentir medo, não há como ser autoconfiante. Só é autoconfiante numa situação destas a pessoa ingênua, que acha que pode tudo. Mas a realidade logo se impõe e a derrota é provável. Erros graves serão cometidos até que a pessoa perceba que coragem não é a mesma coisa que imprudência, inconseqüência, onipotência infantil.

Autoconfiança nasce da experiência, da tarimba da longa convivência com certa atividade. Aquele que tem medo do desconhecido, que fica nervoso e inseguro diante do que nunca fez, precisa aceitar que este é um medo útil. É através deste medo que podemos tentar nos equipar adequadamente para enfrentar o novo. Este medo é a semente da prudência, da capacidade de ser prevenido, de antever dificuldades.

Mesmo a pessoa competente e experiente pode ainda sentir medo. É um medo pequeno, mas que não desaparece totalmente. Diante de tarefas de grande complexidade ou que são perigosas, um certo medo pode permanecer presente. É a margem de incerteza que sempre existe, é a certeza que precisamos ficar atentos, vigilantes, senão erramos ou não percebemos o que deve ser feito no momento adequado.

O medo se torna em nós uma força destruidora quando nos entregamos a ele, quando nos tornamos obedientes a ele. Aquele que não faz, não tenta, não se arrisca porque está com medo, se deixa devorar. O medo inimigo é o medo que paralisa, sufoca, congela. Mas o inimigo pode ser convertido. O medo em nós não precisa morrer. Ele deve sim ser domesticado, administrado, até que se torne um impulso útil, semente de uma capacidade. É preciso tornar-se desobediente. Aprender a agir com medo, suando frio, tremendo. Começar com o que é menos difícil e aos poucos avançar até o mais difícil. Quando agimos, mesmo com medo, percebemos que o medo cede, diminui. Cada dia pode diminuir um pouco mais, desde que a pessoa persista, insista, não se deixe devorar. É no esforço repetido, cotidiano, que as grandes capacidades se desenvolvem. Competência, autoconfiança, coragem é o premio dos que persistem.

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Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
Comentário
  1. Alba Valéria - Almenara - MG

    Alba Valéria Freitas Dutra

    Oi Carlos,
    Tudo bem? Li seu artigo e me ocorreu uma pergunta: Por que temos dificuldades (ou medo) em dar aquilo que a pessoa quer. Em se tratando de afeto, atenção, reconhecimento. Por que negamos o que aparentemente, de modo algum, não nos fará falta?
    Abraços
    Alba

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