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Justiça

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Psicologia
data: 24/06/2010

Pode ser profundamente doloroso sermos vítimas da violência, seja a violência de um estupro, de um assalto, seja a violência corporal numa briga ou espancamento. Outros vivem a dor de ver sofrer alguém querido que foi vítima desta violência, ou mesmo que morreu por causa dela. Muito freqüentemente estas situações geram na vítima intensos sentimentos de ódio, de medo , de repulsa. Muitos procuram, através dos processos judiciais, fazer justiça, confinar ou punir aquele que foi o causador de tanto sofrimento. É evidente que não deve ficar impune aquele que assim atua. A sociedade busca proteger-se da repetição de atos semelhantes confinando o malfeitor. Mas nem sempre isto acontece. Tem pessoas que sofreram há muito tempo, na sua infância ou adolescência abuso sexual ou mesmo estupro. Muitas vezes o autor era pessoa da família, acima de qualquer suspeita. Ou um desconhecido que desapareceu. Acontece da pessoa não ter comentado com ninguém o fato. Freqüentemente o ato é acompanhado de ameaças que podem impressionar fortemente uma criança e ela, por medo nada fala. Outras vezes o autor é pessoa de boa reputação e a criança tem medo de não ser acreditada e ainda ser punida como mentirosa. Noutros casos, temos a violência corporal, da parte dos próprios pais, na forma de espancamento por causa de erros cometidos pela criança.

Muitas vezes ao clamarmos por justiça o nosso sentimento é o ódio. Queremos vingança. Que aquele que foi o agressor seja punido de modo exemplar. Não é outro o motivo de um linchamento. É a justiça com as próprias mãos, é a vingança eficaz e imediata. Vale a pena, do ponto de vista da saúde psicológica, mergulhar no ódio, dar–lhe abrigo? Aquele que odeia tem diante de si o odiado freqüentemente. É um laço afetivo intenso. Nós nos ligamos àqueles que odiamos. É uma espécie de casamento ao avesso. É como gotejar veneno dentro de nós, através da lembrança do que ele nos fez e através de fantasias de vingança ou desejos de que ele sofra. Também o malfeitor às vezes justifica seus atos como vingança do que a vida o fez sofrer, na infância, na miséria, por violências sofridas. Quando desejamos vingança e deixamos que este desejo viva em nós frequentemente, em parte nos assemelhamos ao malfeitor.

É necessário que busquemos justiça para proteger a sociedade de certos indivíduos, para protegê-los de si mesmos. Mas se igualamos justiça com vingança a palavra perde o sentido. Quando educamos uma criança se ela é punida por pais raivosos e agressivos o efeito será completamente diferente daquele pai que dá o mesmo castigo a partir de uma atitude de amor firme e enérgico.

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Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
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