Español
Tamanho da Letra: [A-] [A+]

Franqueza

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Psicologia
data: 15/10/2010

Há pessoas que se dizem rebeldes. Gostam de fazer o que é proibido, gostam de ser do contra. Já que você não quer que eu faça, é isto que eu vou fazer. Esta é uma atitude típica da adolescência. O adolescente, na busca de sua identidade, quer experimentar o novo, o fora do comum. Freqüentemente ama a desobediência. Acha que se fazer o proibido, aquilo que seus pais não querem, prova ser uma pessoa livre, independente. Tem muitos adultos que prosseguem nesta atitude vida afora.

O que o rebelde não percebe é que ser do contra é uma forma de obediência, de dependência. É uma obediência ao avesso. Ele faz o que o outro quer, só que pelo avesso. Ele não é livre para concordar. Ele tem de discordar. Ele tem de fazer o que os outros não querem. É escravo da opo-sição.

Aquele que é livre, independente, é capaz de pensar. Ele pode examinar cada opção de conduta, cada opinião, procurando perceber o que lhe parece verdadeiro. Ele pode concordar, concordar em parte, discordar.

Pode ouvir um conselho. Pode concordar provisoriamente, até ganhar mais vivência em determinado assunto e poder assim formar uma opinião, um ponto de vista próprio. Ele pode concordar com alguém dizendo: “agir deste jeito é bom para você. Não sei se será bom para mim. Somos pessoas diferentes. O que é bom para você pode ser certo, o que é bom para mim pode ser diferente, mas também ser correto. Não existe apenas um modo correto de agir. Ser livre, independente, exige atenção, reflexão, disposição de partir para a experiência. É mais sutil do que ser do contra.

Por outro lado existem pessoas que acreditam que amar é concordar sempre, agradar, fazer o que o outro quer. São obedientes aos desejos daqueles que amam. Se a pessoa que amo briga com alguém, também corto relações. Se a pessoa que amo faz algo errado, eu me calo, eu o defendo, fico do seu lado. Provo assim que o amo. Acontece de que aquele que recebe tantas provas de amor pode de repente ir embora. Não suporta mais alguém tão servil, além que não e capaz de ensinar-lhe algo, que não é capaz de ajudá-lo a perceber quando erra.

Amar e ser útil é estimular o crescimento do outro, é querer o bem do outro. Fazer apenas o que o outro quer pode ser mimá-lo, fortalecer seu egoísmo, ajudá-lo a ser caprichoso, mesquinho, delinqüente. Para haver amor entre adultos são necessários dois indivíduos. Se um manda e o outro obedece, só existe um indivíduo. O outro se anula, é escravo.

Compartilhar este Artigo

Leia mais artigos em Psicologia

Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
Deixe um comentário