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Envelhecer

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Psicologia
data: 09/09/2009

Em resposta à leitora Cezarina da Silva Almeida

Prezada Cezarina, em atenção à sua pergunta faço aqui uma reflexão sobre o que significa envelhecer.

A vida de cada um de nós recebe a influencia de dois fatores poderosos, ao mesmo tempo impalpáveis. Um se chama passado, o outro futuro. O passado deixou sua marca sobre nós, de alegria, dor e conhecimentos e o levamos conosco, colorindo, iluminando ou escurecendo cada instante do presente. E este desconhecido que se chama futuro também ilumina ou escurece de outra forma, o presente.

Ter desejos, aspirações, ideais, significa tentar construir o futuro. Aquele que nada quer ou que não tem ideais que o impulsionem fica apático, vazio, infeliz. A infância e a juventude são por excelência o período em que fervilhamos de desejos. Há tanto por conhecer e experimentar. São estudos, pessoas, viagens, casamento, filhos, profissão. Tudo nos chama e desperta a nossa curiosidade.

O olhar que uma pessoa de mais de 40 anos lança sobre a vida já é diferente. Se ele teve uma vida mais ou menos normal já vivenciou muita coisa. Alegrias, decepções, crescimento, uma certa maturidade. O entusiasmo juvenil passou. Cautela, às vezes cansaço transparece na fisionomia. O corpo já não tem a mesma aparência de seus 20 anos.

O jovem, de certo modo, nas suas emoções, vive como se a morte não existisse. Quem morre são os outros, não eu. Na idade madura a morte vai se tornando real. O corpo vai declinando e sabemos que o apogeu da juventude já passou. Estamos na segunda metade da vida.

Há pessoas que nesta etapa da vida em vez de se sentirem dentro de um corpo que vai envelhecendo, sentem-se o próprio corpo. Ficam obcecados pela idéia de doença e morte e param de viver. Assistem apavorados, assustados, o declínio do corpo. Perdem a alegria de viver por causa do medo de doença e morte.

Aqui se coloca a pergunta: somos um corpo que envelhece ou temos um corpo que envelhece? Cada ser humano tem que responder a esta pergunta e a resposta encontrada é só dele. Mas uma coisa é certa: aquele que volta seu olhar para o corpo buscando a todo instante sinais de doença está doente na alma. Apaga-se para a vida.

Por outro lado nós encontramos pessoas de 70 anos que não voltaram seu olhar para o corpo. Estão vivas. Aceitam o corpo envelhecido mas não mergulham nele. Sentem-se vivas e jovens dentro de um corpo que envelheceu. Interessam-se pela vida, têm entusiasmo, alegria, projetos e vão em busca do que querem.

Diante do futuro podemos ter medo ou esperança. Aquele que mergulha no medo, sofre sem cessar. Quem tem uma esperança ativa constrói, atrai para si a energia da vida.

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Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
2 Comentários
  1. Cezarina da Silva Almeida /Ribeirão dasNeves

    Caro Carlos,obrigada pela sua atenção,acredito também que envelhecer é algo subjetivo,com cada pessoa envelhecendo segunda sua cultura ou o que a vida lhe proporcionou.Apesar de vivermos numa cultura onde existe um preconceito muito grande com os nossos idosos e nos como psicologos precisamos conciêntizar as pessoas de que envelhecer é uma coisa inerente do ser humano e para isso devemos respeitar as pessoas e quanto mais velhas o respeito deve ser maior.
    No mais agradeço pela sua reflexão sobre o envelheçer.Continue a escrever sobre o assunto que diz sobre algo que é do ser humano

  2. Poliana / Belo Horizonte

    Se possivel, acho que seria interessante posteriormente elaborar um pouco mais sobre a questao dos medos. Principalmente focando naquele que os sente. Porque se libertar da angustia e se tornar aquele que “atrai para si a energia da vida” nao e’ so’ uma questao de escolha para muitos…

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