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Emagrecer

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Psicologia
data: 10/06/2010

A maioria de nós, mais cedo ou mais tarde, tem de lidar com a questão do excesso de peso. Alguns tem este problema desde a infância, outros a partir da adolescência, outros ainda depois dos trinta ou quarenta anos. À medida que os anos passam a tendência é comer além do necessário. No período de crescimento, até 15 ou 20 anos o corpo consome parte do alimento para construir a si próprio, crescer. Alem disto a criança e o adolescente tem uma tendência forte para a atividade corporal: esportes, brincadeiras corporais, passeios, dança. À medida que a vida adulta vai chegando, gradualmente, as pessoas diminuem as atividades corporais. Mas tendem a continuar a comer o que antes comiam. Consomem menos energia e o excesso vai se acumular como gordura.

O adulto tem mais vida interior do que a criança. Tem menor necessidade de se exprimir corporalmente. Ter mais vida interior é um ganho que o torna-se adulto nos traz.  Ficamos mais reflexivos, pensamos mais sobre o passado, o futuro, sobre as coisas que fazemos ou que nos acontecem. Por outro lado o corpo é um ser de hábitos. Se acostuma a comer uma certa quantidade, a ter uma certa freqüência nas refeições. Se a quantidade de comida ou a freqüência das refeições é diminuída temos a sensação de “fome”. Esta fome pode ser apenas a força do hábito, do costume. Se ficamos menos ativos corporalmente ao nos tornarmos adultos e continuamos a comer como antes, engordaremos. Quebrar hábitos não é fácil. Diminuir a quantidade de comida ou a freqüência das refeições pode gerar, por muitos meses, a sensação de privação, de fome mal satisfeita. Com o tempo o corpo se acostuma e os novos hábitos se estabelecem. A falsa “fome” deixa de incomodar. Mas demora. Poucos persistem até chegar nesta fase.

Vivemos numa época que valoriza a preguiça, o conforto, que considera que prazer é ausência de esforço. Esforço é visto como sofrimento, privação, dor. Mas existe um outro tipo de prazer que nasce do desenvolvimento de novas habilidades. É o prazer de sentir-se capaz, de resolver desafios, de conseguir algo que antes era impossível. Este é um prazer que nasce do esforço, da disciplina, da auto-superação. É o prazer daquele que foge da estagnação, que percebe que viver fica mais interessante quando buscamos sempre crescer, novos caminhos, desafios. Para pessoas assim o esforço de emagrecer ou de não engordar pode ser percebido como um novo tempero para a vida, que exige uma vigilância constante, estar desperto, atento.

Este artigo não pretende substituir a necessária orientação médica nos casos pertinentes. É apenas um testemunho de vivências e observações.

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Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
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