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Doçura e Firmeza

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Psicologia
data: 25/01/2010

Em resposta a uma leitora.

Você diz que sua mãe era severa e firme e que você às vezes acha que trata seus filhos com excesso de gentileza. São duas faces da vida, duas necessidades na educação. A vida frustra, causa dor, cansa, é às vezes pesada e difícil. Noutro momento ou época a beleza da vida nos invade, a doçura do amor, a alegria de sentir-se capaz, o entusiasmo por compreender e aventurar-se. Educar uma criança é prepará-la para a vida, ajudá-la a ser capaz de desfrutar e enfrentar. É difícil saber dosar, ao cuidar de uma criança, doçura e firmeza. Mas ela precisa das duas. Sensibilidade, suavidade, alegria, ternura e força, coragem, competência, inteligência. Os extremos são perigosos. A firmeza que você recebeu foi tanta que talvez tenha te ferido, deixado marcas que até hoje ainda doem. Mas uma criança que receba apenas ternura, permissividade pode se tornar fraca, mimada, caprichosa. O “não” que você não der a teus filhos, com certeza a vida dará. Nenhum de nós é poupado. É melhor acostumar-se desde pequeno a enfrentar obstáculos e frustrações do que ser pego despreparado quando for lidar com o mundo fora do lar.

A educação antiga enfatizava a obediência, a severidade, a disciplina, o respeito aos mais velhos, a ausência de diálogo, a relação autoritária, as proibições. Na nossa época, tentando curar as feridas e cicatrizes que o passado deixou, estamos indo para o outro extremo. Tudo pode, tudo é permitido, as crianças mandam, os pais obedecem. Todo cuidado é pouco para não criar traumas nas crianças. Colocar limite, dar para a criança uma vida com ordem e ritmo não é traumatizá-la. Chocante é perceber jovens frouxos, incapazes de esforço, sem coragem para lidar com a vida, querendo apenas o que é fácil, o prazer imediato. Daí para as drogas, o sexo irresponsável, uma adolescência que não termina nunca é um caminho natural.

Cada criança que nasce é como uma semente de uma árvore desconhecida que os pais recebem. Que árvore será, nós não sabemos. Só com o tempo a natureza da criança se revela. Isto prossegue até a idade adulta e vai além. Cada ser humano guarda mistérios dentro de si que só o tempo revelará. A educação não é tudo na vida de uma criança. Pode ajudar muito ou atrapalhar muito, ou as duas coisas em aspectos diferentes. Que tipo de pessoa a criança se torna, nem sempre é responsabilidade dos pais. Ela também faz escolhas. Mas é inegável que uma educação equilibrada pode ajudá-la a desenvolver o melhor que traz em si.

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Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
Comentário
  1. Cezarina Almeida - Ribeirão das Neves - MG

    Realmente acredito que uma educação balanceada é uma arma poderosa para o futuro de nossas crianças. Pois quando nos tornamos adultos depois de uma infância muito rígida, também corremos o risco de ter uma personalidade fragilizada pelo medo.

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