Español
Tamanho da Letra: [A-] [A+]

Diálogo

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Psicologia
data: 10/02/2010

Diálogo

Uma das necessidades humanas básicas é a de ser capaz de encontrar-se com outro ser humano. Sentir-se aceito, compreendido, amado, acolhido. Perceber que tem pessoas que gostam de nossa companhia, com as quais podemos ser sinceros. Na busca de intimidade, companheirismo, logo descobrimos que o desencontro é mais comum do que o encontro. Atritos, dificuldades, desentendimentos permeiam a maioria das relações. Tem pessoas que sofrem tantas decepções que se tornam amargas e céticas. Passam a não confiar mais em ninguém. Usam máscara da qual nunca se libertam. Fecham-se e se endurecem.

Todos nós temos decepções nas relações com as pessoas. Precisamos aprender a calar, a não nos revelarmos com qualquer um. Temos de escolher bem com quem abrir o coração. E mesmo com as pessoas mais próximas podemos ter momentos de encontros verdadeiros e outros quando tudo fica difícil, quando a incompreensão é a regra.

Frequentemente somos bem diferentes uns dos outros. A nossa singular história de vida, temperamento, ser homem e mulher, idade, talentos e limitações – tudo isto nos configura de modo particular. Não é fácil compreender e conhecer bem um outro ser humano. É essencial que tentemos dialogar. Muitas vezes não dá para adivinhar o que se passa com o outro. Precisamos nos explicar, nos dar a conhecer, mostrar o modo como sentimos, desejamos, sofremos. Às vezes uma pessoa tem por nós um afeto sincero, mas não compreende o porque reagimos de um modo ou de outro. É preciso abrir-se, tentar.

Quem se mostra se arrisca. É perigoso. O outro pode nos criticar. Nos ofender, nos ridicularizar. Mas só assim posso saber quem está comigo, quem é aquele com quem estou buscando intimidade. É possível a compreensão mutua. Podemos nos aconchegar, não só fisicamente, mas na alegria de nos sentirmos junto com alguém em corpo, alma e espírito. Mas só quem foi corajoso pode chegar a isto. Quem não se arrisca vê a vida passar, mas não desfruta. Fica isolado, com medo, desconfiado.

Quando temos uma relação íntima com alguém é importante não achar que esta pessoa pode nos fazer feliz. Esta pessoa pode ser uma parte de nossa felicidade, uma das razões pelas quais viver vale a pena, traz alegria. Se ela for o centro absoluto, aquela de quem esperamos que nos dê alegria para viver, o fracasso é quase certo. É peso demais para alguém suportar. Temos de ter muitas alegrias, outros prazeres. Temos de ter uma relação de alegria e prazer com outros aspectos de vida: trabalho, filhos, arte, estudo, natureza, amizades, religiosidade. Só assim teremos a leveza necessária para termos uma relação íntima e afetuosa com outra pessoa.

Compartilhar este Artigo

Leia mais artigos em Psicologia

Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
Deixe um comentário