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Desejo e Razão

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Psicologia
data: 07/10/2009

Fala-se com freqüência de poder do pensamento positivo. Em verdade o que está em jogo nesta expressão é o poder do desejo. Aquilo que eu ouso desejar, com persistência, pode mais cedo mais tarde se realizar. O pensar é, em muitas áreas de nossas vidas, apenas uma força auxiliar, um meio para conseguir, através da inteligência, do planejamento, aquilo que desejamos. Somos seres racionais potencialmente, mas a força central que nos move é o desejo, não a razão. Aquele que tem o pensar, a inteligência bem desenvolvida, ágil, pode valer-se disto para tentar conseguir o que quer com mais eficiência.

No centro do nosso ser, ergue-se aquilo que é não racional ou irracional: necessidades físicas, emocionais, espirituais. Estas necessidades podem ser reais ou imaginárias. Há coisas ou situações que são indispensáveis ao nosso bem estar. Outras desejamos intensamente, mas uma vez satisfeito o desejo deixam de ser interessantes ou necessárias.

O pensar, a inteligência é aquilo que rege, ou deveria reger a nossa relação com o mundo material, a vida prática. Sem isto nos frustramos ou sofremos. Se nos expomos ao perigo podemos nos machucar. Se nos alimentarmos incorretamente o corpo adoece ou morre. Para construir uma casa temos de saber como fazer, senão ela desaba. Tudo aquilo que chamamos tecnologia, ciência aplicada aos objetos materiais, é a expressão do poder do pensar.

Já no mundo das relações humanas, é muito mais difícil ser racional. Somos passionais. Não conhecemos a nós mesmos, não compreendemos corretamente as pessoas que nos cercam. Caminhamos na neblina, tateando um caminho para a satisfação de nossos desejos. Somos frequentemente imaturos emocionalmente e também intelectualmente. É bem mais fácil ser racional nas atividades materiais, práticas. Nossas emoções ficam mais sob controle e a realidade se impõe, friamente. Já entre seres humanos são duas turbulências emocionais que se encontram. A criança que nós fomos permanece bem viva no adulto que somos. A maior parte das brigas de adultos são brigas de crianças. A nossa razão apenas auxilia na argumentação, para tentarmos fingir racionalidade nas nossas carências e desejos.

Aprender a ser racional dentro das relações humanas é uma arte difícil. Exige autocontrole; capacidade de ouvir atentamente; autoconhecimento; capacidade de perceber que outros seres humanos podem ter motivos, desejos e necessidades muito diferentes dos nossos. Exige empatia, esta difícil arte de ver e sentir o outro tal qual ele próprio se vê e sente. Exige generosidade, pois sem ela ficamos sempre apegados aos nossos desejos e necessidades, usando a razão apenas para inventar argumentos e explicações para justificar o nosso egoísmo e os nossos interesses.

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Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
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