Español
Tamanho da Letra: [A-] [A+]

Desejo e Ódio

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Psicologia
data: 20/10/2009

A frustração do desejo desperta em nós tristeza. Em muitas pessoas à tristeza se segue à raiva, o ódio. Quando mais intenso e profundo o desejo que foi frustrado mais intenso poderá ser o ódio que desperta. Quando reagimos com ódio àquilo que nos frustra estamos em sono profundo. A nossa lucidez adormeceu. Estamos cegos. Neste momento deixamos de perceber que o desejo está em nós, é interno. Colocamos em alguém ou nalguma situação a culpa, a responsabilidade pela nossa frustração. Há pessoas que quando estão infelizes precisam quebrar, ferir, destruir. Uns quebram copos, ou chegam em casa e quebram movéis e aparelhos. Outros agridem pessoas. A pessoa agredida pode ser aquela que provocou a frustração ou então alguém completamente inocente, que não tem nada a ver com o problema.

Tem pessoas que fermentam o seu ódio lentamente. Fica represado, oculto. Aparentam calma e autocontrole. Aí, depois de algumas cervejas, se tornam violentos, cruéis. O álcool não gera a violência. Ela já estava guardada dentro da pessoa. Tem pessoas que mais tarde se desculpam dizendo que não sabiam o que estavam fazendo, que a culpa é da bebida. É mentira. O álcool traz à tona o que estava guardando, desinibe. Tem alcoólatras que jamais são violentos.

Nas relações entre homem e mulher o desejo frustrado frequentemente se torna ódio. São agressões verbais, violência corporal ou mesmo homicídio. “Eu tenho desejos, sinto falta de carinho, prazer, atenção, compreensão ou de alguém que me obedeça. Já que você não sente por mim o que eu quero, não se comporta como eu gosto, vou te agredir, maltratar, destruir”. Quase sempre nas relações que são chamadas de amorosas o que existe de pior em nós se torna visível, revelado.

Ninguém tem obrigação de nos fazer feliz nem de atender aos nossos desejos. Quando eu me decepciono com alguém descubro algo sobre o outro que eu não esperava e descubro algo sobre mim. Descubro que não fui inteligente o suficiente para perceber que eu não podia esperar desta pessoa o que eu estava esperando. É possível ser feliz, mas apenas para aqueles que param de colocar nos outros a responsabilidade por suas carências e frustrações. A arte de ser feliz exige praticantes lúcidos, ponderados, esperançosos e dispostos a uma autodisciplina constante.

Compartilhar este Artigo

Leia mais artigos em Psicologia

Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
Deixe um comentário