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Ciúme

Publicado por Carlos Bittencourt Almeida em Psicologia
data: 04/01/2010

Ciúme

Nascemos no desamparo. O bebê depende da mãe para atender a maioria de suas necessidades. À medida que crescemos vamos ganhando autonomia e lentamente nos desprendendo da dependência material e afetiva de nossos pais. Em maior grau a partir da adolescência transferimos nossas demandas de atenção e afeto para pessoas de nossa idade ou de nossa escolha. Uma parte destas necessidades será cumprida por amizades e a demanda de intimidade corporal e afetiva será canalizada para uma pessoa do sexo oposto. Esta pessoa será nosso foco, o alimento principal, aquela que nos dará amor, carinho, prazer, aconchego e exclusividade.

A partir desta época um tipo especial de ciúme começa a florescer. Alguns o vivenciam de um modo mais intenso, generalizado. Não gostam que seu par tenha amigos, nem do seu próprio sexo. Tem ciúme do convívio de seu par com sua família: pais, irmãos, irmãs. Mais tarde, no casamento, há maridos que têm ciúme da relação da esposa com os filhos, ou esposas que têm ciúme da relação do marido com as filhas. Outras pessoas não sofrem de modo intenso estes tipos de ciúme. Seu foco é mais especifico. Seu ciúme é da relação de seu par com pessoas do sexo oposto, principalmente se ocorrerem na sua ausência. Deste ciúme nasce a frase, muitas vezes expressão da verdade: “Não existe só amizade entre homem e mulher. O erótico logo virá à tona”.

A dor do ciúme atinge o seu auge na presença da infidelidade sexual. Pode doer de dois modos. Um é intimo: “Eu não sou a única alegria dele. Eu não sou a única mulher que ele ama. Ele não me ama mais, já que procurou outra. Não sou tão especial para ele como eu achei que eu era. Eu não quero perdê-lo.“ A outra dor é pública, social: “Minha mulher me traiu. Aquele homem deve estar orgulhoso de sua conquista. Fico humilhado em saber que ela preferiu outro. O que será que ele tem que eu não tenho? Será que ela se sentiu mais feliz com ele? Que vergonha será para mim quando os outros souberem. Eu agora sou o palhaço, o que foi passado para trás.“ Por um lado existe a dor da perda da pessoa ou da exclusividade, por outro a dor da perda da reputação.

Em grau maior ou menor queremos ser o centro, especiais, únicos, insubstituíveis. No grau maior quer dizer: “Não quero que você goste de ninguém além de mim. Quero ser tudo para você. Você só deve ser feliz comigo”. No grau menor quer dizer: “Quero ser o único homem/mulher que te faz feliz de quem você recebe prazer, carinho e aconchego.” O ciúme é a expressão de nossa carência, fragilidade, desamparo, vaidade.

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Carlos Bittencourt Almeida - Psicólogo Clínico e escritor, residente em Belo Horizonte - MG Consultas online? envie suas perguntas.
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