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	<title>Fundação Metropolitana &#187; Milton Tavares Campos</title>
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	<description>Fundação Educacional e Cultural Metropolitana</description>
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		<title>A Tragédia de Realengo, a Justiça e a Não Violência</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Apr 2011 19:39:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milton Tavares Campos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Segurança Pública]]></category>

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		<description><![CDATA[Após ver o noticiário pela TV da chacina que um jovem de nome Welington, da periferia da Cidade do Rio de Janeiro, fez com adolescentes, seus vizinhos e frequentadores da mesma escola em que ele estudou, fico vendo os jornalistas totalmente perdidos ao tentarem explicar ou comentar a tragédia. Busca-se um culpado fácil que não é encontrado, e aí ficam dando voltas, perdidos no meio do sensacionalismo e da exposição do desespero das mães, pais, irmãos, parentes, vizinhos. As autoridades totalmente perdidas sem saber o que fazer ou o que falar. Da mesma forma as religiões e a mídia, que são os grandes formadores de valores e ideologias. A prova desta desorientação geral foi o resultado inesperado do “Plebiscito do Desarmamento”, realizado em 23 de outubro de 2005, quando o povo brasileiro disse NÃO ao desarmamento uniliateral e incondicional. Talvez neste assunto a opinião da maioria silenciosa possa ser esclarecedora e por isso resolvi dar a minha. Há alguns dias tive a curiosidade de assistir um &#8220;filme de ação&#8221;, com Bruce Willys. É totalmente impressionante a indústria da carnificina. Mata-se dezenas, centenas, como se fosse uma brincadeira ou um esporte, a técnica de atirar rápido, ter boa pontaria e bons reflexos, além de contar com uma proteção sobrenatural que todo mocinho precisa. O que é mais importante nesses &#8220;filmes de ação&#8221; é que os caras depois de matarem adoidado voltam para sua bucólica cidadezinha americana onde vivem em paz com suas famílias, pelo menos até que outra missão de aventura os atraia. Vocês não acham que estes rebeldes sem causa acabam influenciando jovens sem referência como Welington, que protagonizam estas tragédias em Realengo, Columbine e Virginia Tech? Outro dia na academia onde faço natação, eu estava no vestiário escutando as conversas dos frequentadores dos cursos de artes marciais e fisiculturismo, e percebi a força desta ideologia da violência, difundida tanto no cinema quanto na TV, e principalmente nos vídeo games. Ao ver o noticiário real fico vendo a facilidade com que os países da OTAN, EUA, França, Inglaterra e outros, têm para bombardear a Líbia, uma situação que, fora o petróleo que lhes interessa, não lhes diz respeito diretamente. Fico pensando: como é fácil decidir matar e mais fácil ainda executar a decisão. Basta que Sarkozy ou Obama autorizem pelo telefone o pedido de um comandante militar para que as frotas marítimas, com Porta-aviões, destróieres, encouraçados e submarinos se desloquem, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-4732" title="A Tragédia de Realengo" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2011/04/A-Tragédia-de-Realengo-500x315.jpg" alt="" width="500" height="315" /></p>
<p>Após ver o noticiário pela TV da chacina que um jovem de nome Welington, da periferia da Cidade do Rio de Janeiro, fez com adolescentes, seus vizinhos e frequentadores da mesma escola em que ele estudou, fico vendo os jornalistas totalmente perdidos ao tentarem explicar ou comentar a tragédia.</p>
<p>Busca-se um culpado fácil que não é encontrado, e aí ficam dando voltas, perdidos no meio do sensacionalismo e da exposição do desespero das mães, pais, irmãos, parentes, vizinhos. As autoridades totalmente perdidas sem saber o que fazer ou o que falar. Da mesma forma as religiões e a mídia, que são os grandes formadores de valores e ideologias. A prova desta desorientação geral foi o resultado inesperado do “Plebiscito do Desarmamento”, realizado em 23 de outubro de 2005, quando o povo brasileiro disse NÃO ao desarmamento uniliateral e incondicional. Talvez neste assunto a opinião da maioria silenciosa possa ser esclarecedora e por isso resolvi dar a minha.</p>
<p>Há alguns dias tive a curiosidade de assistir um &#8220;filme de ação&#8221;, com Bruce Willys. É totalmente impressionante a indústria da carnificina. Mata-se dezenas, centenas, como se fosse uma brincadeira ou um esporte, a técnica de atirar rápido, ter boa pontaria e bons reflexos, além de contar com uma proteção sobrenatural que todo mocinho precisa. O que é mais importante nesses &#8220;filmes de ação&#8221; é que os caras depois de matarem adoidado voltam para sua bucólica cidadezinha americana onde vivem em paz com suas famílias, pelo menos até que outra missão de aventura os atraia.</p>
<p>Vocês não acham que estes rebeldes sem causa acabam influenciando jovens sem referência como Welington, que protagonizam estas tragédias em Realengo, Columbine e Virginia Tech? Outro dia na academia onde faço natação, eu estava no vestiário escutando as conversas dos frequentadores dos cursos de artes marciais e fisiculturismo, e percebi a força desta ideologia da violência, difundida tanto no cinema quanto na TV, e principalmente nos vídeo games.</p>
<p>Ao ver o noticiário real fico vendo a facilidade com que os países da OTAN, EUA, França, Inglaterra e outros, têm para bombardear a Líbia, uma situação que, fora o petróleo que lhes interessa, não lhes diz respeito diretamente. Fico pensando: como é fácil decidir matar e mais fácil ainda executar a decisão. Basta que Sarkozy ou Obama autorizem pelo telefone o pedido de um comandante militar para que as frotas marítimas, com Porta-aviões, destróieres, encouraçados e submarinos se desloquem, e que os aviões levantem vôo para despejar toneladas de bombas em cima de alvos nem sempre muito precisos ou claros. É evidente que muitos inocentes, ou seja pessoas que não tinham nada a ver com o assunto, perdem as vidas. Se eu tiver que definir o que é terrorismo, uma palavra tão banalizada pelas superpotências que dominam o mundo através da OTAN e do Conselho de Segurança da ONU, eu diria: “é matar inocentes”. E quem mata mais inocentes que a indústria da guerra chamada OTAN?</p>
<p>De certa feita, quando estava em andamento a Revolução Argelina (1956-1962) contra o colonialismo francês, estando o líder revolucionário Mohamed Ben Bella preso em Paris, e contando com forte apoio da opinião pública mundial, os militares franceses resolveram apresentar o líder rebelde para uma coletiva de imprensa. Quando uma jornalista francesa perguntou a Ben Bella se era verdade que os rebeldes utilizavam barrigas de mulheres grávidas para transportar bombas em Argel, ele respondeu: “Pedimos desculpas por não termos aviões”.</p>
<p>Voltando para hoje, sabemos que o mundo todo ficou chocado com o atirador Welington que deu dezenas de tiros dentro da escola de Realengo, atingiu 24 e matou 12 adolescentes. Pois bem, ninguém pode questionar um bombardeio da OTAN que segundo o bispo de Trípoli matou 40 civis inocentes, ou seja pessoas que não tinham nada a ver com a guerra. Quando nós nos curvamos diante da violência injusta dos poderosos que matam dezenas, centenas, milhares, pelo petróleo que ambicionam, nós estamos escolhendo uma escala de valores que é divulgada pelos Rambos, pelos Arnold Schwarzenegger, considerados diretores e atores de grande sucesso em Hollywood. Este último foi eleito por duas vezes governador da Califórnia, um dos estados mais importantes dos Estados Unidos, e foi nomeado duas vezes pela influente revista “Time” como uma das cem pessoas que ajudaram a moldar o mundo. Certamente que no fundo do inconsciente do jovem de Realengo os peritos irão encontrar as digitais do Schwarzenegger.</p>
<p>Causas psicológicas à parte, como evitar que novas tragédias como a do Realengo ocorram? Me lembro que em um atentado em Tel Aviv em que um homem entrou em um mercado atirando a esmo, a matança só foi contida quando um civil armado o alvejou e matou. Da mesma forma em Realengo foi uma pessoa armada que alvejou o atirador e certamente salvou muitas outras vidas. Não interessa se essa pessoa armada era civil ou policial, se estava ou não de serviço naquele momento. O que interessa é que alguém com valores de Justiça se valeu da Violência para deter o agressor e salvar vidas humanas.</p>
<p>Alguém, cujo nome não me recordo teve a imensa lucidez e coragem de dizer que a verdadeira Não Violência só será conquistada quando os justos forem violentos e monopolizarem o uso das armas. Se os justos desconhecerem a existência das armas, estas cairão na mão dos injustos. É preciso que os justos sejam violentos para conter a violência dos injustos.</p>
<p>Se quisermos um mundo de Justiça e Não-violência é preciso que nos transformemos em pessoas justas interiormente, mas não podemos desconhecer a existência das armas e da violência, precisamos garantir o uso Justo e Não-violento delas, e isto vale tanto para indivíduos quanto para os países.</p>
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		<title>O Fim dos Economistas? &#8211; parte 2</title>
		<link>http://www.metro.org.br/milton/o-fim-dos-economistas-parte-2</link>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 19:22:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milton Tavares Campos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>

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		<description><![CDATA[Planejamento e Gestão No início dos anos 90, na esteira do Consenso de Washington, a atividade de planificação no Brasil foi abolida, e acreditem, pelos governos civis, logo após a redemocratização. O planejamento público cheirava aos militares e principalmente à antiga União Soviética recém “libertada”. Aqui vale uma pequena menção à história deste país. Na União Soviética, desde a desestalinização, o socialismo veio sendo substituído por uma burocracia comandada pela Номенклату́ра, ou Nomenklatura. Номенклату́рий рабочий ou Nomenklaturiy Rabotniy, ou seja Trabalhadores Relacionados, é a expressão que deu origem a esta sigla. Não podiam dizer Trabalhadores Classificados, pois daria na cara que era uma nova classe social que vinha se implantando. Com a “democratização” da Rússia a Nomenklatura se tornou assumidamente uma nova classe capitalista, e, pelas informações privilegiadas e pelo poder que detinha, se apropriou privadamente dos bens do estado, tirando completamente todas as máscaras. Aqui no Brasil ocorre algo muito parecido quando o filho de um ex-donatário da Companhia Vale do Rio Doce no período do regime militar, usa as informações privilegiadas escondidas pelo pai para se apropriar das jazidas estratégicas de minerais registrando-as em nome próprio e as vendendo por valores bilionários para empresas estrangeiras. A planificação socialista que fez o PIB daquele país crescer 38% em 1938, foi então substituída pelo mercado, pelas artimanhas, espertezas, em resumo, pela mafialização que hoje marca a nova fase do capitalismo global e, bem descaradamente o russo, que é, entre todos, o mais moderno. Lênin em 1918 escreveu “Imperialismo, estágio superior do capitalismo”. Deixo aqui um dica de título para alguém continuar a obra de Lênin: “Mafialismo, último suspiro do capitalismo”.   A Mafialização do Capitalismo Vivemos efetivamente um período em que a economia, a política, a mídia, as religiões, a cultura, os esportes e o próprio “aparelho de estado” estão dominados cada vez mais por famílias, grupos e corporações que usam e abusam das práticas mafiosas. A filosofia do “Estado Mínimo” é manifestada no discurso da redução da carga tributária, da redução do papel do Estado, da transferência das atribuições do estado para grupos privados, da abolição da planificação estatal e pela substituição da função de planejamento pelo “orçamento e gestão”, ou seja, a substituição da visão de longo prazo pela de curto prazo, e a política de investimentos públicos pelo simples corte de despesas. No Brasil, na “Nova República”, o Ministério do Planejamento era o centro do fisiologismo dominante, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-3339  aligncenter" title="image001" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/07/image00110-e1279826012847.jpg" alt="" width="480" height="360" /></p>
<p><strong>Planejamento e Gestão</strong></p>
<p>No início dos anos 90, na esteira do Consenso de Washington, a atividade de planificação no Brasil foi abolida, e acreditem, pelos governos civis, logo após a redemocratização. O planejamento público cheirava aos militares e principalmente à antiga União Soviética recém “libertada”. Aqui vale uma pequena menção à história deste país. Na União Soviética, desde a <em>desestalinização,</em> o socialismo veio sendo substituído por uma burocracia comandada pela <strong><em>Номенклату́</em></strong><strong><em>ра</em></strong><em>, ou<strong> </strong>Nomenklatura</em>. <em><strong>Номенклату́р</strong><strong>ий рабочий</strong> ou Nomenklaturiy Rabotniy,</em> ou seja Trabalhadores Relacionados, é a expressão que deu origem a esta sigla. Não podiam dizer Trabalhadores Classificados, pois daria na cara que era uma nova classe social que vinha se implantando.</p>
<p>Com a “democratização” da Rússia a Nomenklatura se tornou assumidamente uma nova classe capitalista, e, pelas informações privilegiadas e pelo poder que detinha, se apropriou privadamente dos bens do estado, tirando completamente todas as máscaras. Aqui no Brasil ocorre algo muito parecido quando o filho de um ex-donatário da Companhia Vale do Rio Doce no período do regime militar, usa as informações privilegiadas escondidas pelo pai para se apropriar das jazidas estratégicas de minerais registrando-as em nome próprio e as vendendo por valores bilionários para empresas estrangeiras.</p>
<p>A planificação socialista que fez o PIB daquele país crescer 38% em 1938, foi então substituída pelo mercado, pelas artimanhas, espertezas, em resumo, pela mafialização que hoje marca a nova fase do capitalismo global e, bem descaradamente o russo, que é, entre todos, o mais moderno. Lênin em 1918 escreveu “Imperialismo, estágio superior do capitalismo”. Deixo aqui um dica de título para alguém continuar a obra de Lênin: “Mafialismo, último suspiro do capitalismo”.</p>
<p style="text-align: center;"> <img class="size-full wp-image-3340  aligncenter" title="image003" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/07/image0032.jpg" alt="" width="384" height="573" /></p>
<p><strong>A Mafialização do Capitalismo</strong></p>
<p>Vivemos efetivamente um período em que a economia, a política, a mídia, as religiões, a cultura, os esportes e o próprio “aparelho de estado” estão dominados cada vez mais por famílias, grupos e corporações que usam e abusam das práticas mafiosas. A filosofia do “Estado Mínimo” é manifestada no discurso da redução da carga tributária, da redução do papel do Estado, da transferência das atribuições do estado para grupos privados, da abolição da planificação estatal e pela substituição da função de planejamento pelo “orçamento e gestão”, ou seja, a substituição da visão de longo prazo pela de curto prazo, e a política de investimentos públicos pelo simples corte de despesas.</p>
<p>No Brasil, na “Nova República”, o Ministério do Planejamento era o centro do fisiologismo dominante, da distribuição de cestas básicas, em nome de uma inovadora “preocupação com o social”. Os peessedebistas, que vieram em seguida, foram corajosos de assumir sua face neoliberal, vendendo as estatais a preço de banana para grupos aliados, e desmontando toda a função de planejamento público sem nenhum pudor. O governo Lula, guiado pela inteligência intuitiva do mandatário, ficou envergonhado, e voltou com o nome de Planejamento, mas continuou fazendo apenas Orçamento. Como disse Marx: “Casuística inata nos homens, a de querer mudar as coisas mudando-lhes os nomes”. O mesmo pragmatismo une os governos FHC e Lula, ambos filhos do mercado globalizado. É como no samba de Zeca Pagodinho, um dos ídolos musicais de Lula: “Deixa a vida me levar, vida leva eu!”</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-3341  aligncenter" title="image005" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/07/image0051.jpg" alt="" width="450" height="299" /></p>
<p><strong>Planejamento Regional</strong></p>
<p>E o planejamento regional, que permitia a melhor distribuição dos frutos do desenvolvimento entre as várias regiões, evitando os fluxos migratórios, o êxodo rural, e as ameaças de desintegração dos territórios? Por incrível que pareça os militares permitiam a convivência da lógica <em>“laissez faire”</em> do mercado com a do planejamento, mas os governos civis que os sucederam liquidaram com toda inteligência estatal, em nome dos modismos e dos novos tempos de pensamento único globalizado.</p>
<p>O planejamento regional foi simplesmente abolido, sendo substituído pela lógica privada imediatista que leva à concentração espacial, incha nossas cidades até que estas, como os buracos negros cósmicos, entram em colapso, pela falta de mobilidade, escassez de água, inundações pela impermeabilização do solo, poluição sonora e atmosférica e a violência descontrolada. Como os buracos negros, que tendem a implodir criando as Supernovas, nossas cidades estão entregues à Providência Divina. Não deve ser à toa que todo prefeito brasileiro sonha com uma estátua do Cristo Redentor, maravilha entre as maravilhas.</p>
<p>Recordo-me do final dos anos 70, quando Minas Gerais tinha como governador Aureliano Chaves, que chegou a ser vice-presidente do general João Figueiredo, tendo aí um papel importante no processo da volta dos civis ao poder. Na ocasião, eu cursava minha faculdade de economia e tive a oportunidade de estagiar-me na Fundação João Pinheiro, FJP, mais precisamente no “Plano de Desenvolvimento do Sul de Minas”. Na época quem dirigia o programa eram técnicos alemães do GTZ, Gesellschaft für Technische Zusammenarbeit, ou Sociedade de Cooperação Técnica pelo Trabalho. Aproveito aqui para agradecer o muito que aprendi sobre planejamento regional com os técnicos alemães e brasileiros . Nosso trabalho consistia em preparar o Sul de Minas para se beneficiar da vizinhança com São Paulo e da expansão econômica que viria a partir da saturação da Região Metropolitana da capital paulista.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-3342  aligncenter" title="image008" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/07/image008.jpg" alt="" width="257" height="193" /></p>
<p>A duplicação da rodovia Fernão Dias foi o momento em que centenas de fábricas vieram de São Paulo para o Sul de Minas, que, graças àquele trabalho de planejamento, pode se preparar para aquela oportunidade. Também havia dentro da FJP o “Planoroeste”, voltado para o Noroeste do Estado que foi preparado para se beneficiar da expansão econômica de Brasília. Houve também um plano regional específico para a região do Vale do Rio Doce. Todos estes “planos” ou programas, eram da responsabilidade da Diretoria de Planejamento sob o comando de um dos maiores especialistas brasileiros em planejamento, o prof. Paulo Haddad, criador do CEDEPLAR, Centro de Desenvolvimento em Planejamento Regional da UFMG, por muito tempo referência internacional em Planejamento Regional. Ele veio a ser Secretário Estadual da Fazenda e do Planejamento na Administração Francelino Pereira, e Ministro da Fazenda por um breve período no governo Itamar Franco.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Orçamento Público</strong></p>
<p>Aqui já falamos do ocaso do planejamento no Brasil. E o orçamento público? Como vocês imaginam que ele é feito? Falo aqui como ex-subsecretário de orçamento de Minas Gerais. Quem pensa que este é feito pelos economistas e outros técnicos do Ministério do Planejamento e das Secretarias Estaduais de Planejamento se engana redondamente. Esta “tecnocracia”, como era pejorativamente chamada na época dos militares, foi também abolida com a “redemocratização”.</p>
<p>Explica-se: com a redemocratização o custo das campanhas políticas aumentou muito. A quem recorrer para seu financiamento? Isto requeria uma “engenharia financeira”. O orçamento passou a ser feito por engenheiros e outros técnicos, não do Estado, mas das empreiteiras, que elaboram as emendas que “seus” deputados apresentam. Bem, aí está uma possível explicação para a escolha das faculdades de economia desistirem de formar os futuros ministros de estado, e em seu lugar formar engenheiros financeiros, provavelmente para elaborar o orçamento estatal dentro das empreiteiras de obras públicas.</p>
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		<title>O Fim dos Economistas? – parte 1</title>
		<link>http://www.metro.org.br/milton/o-fim-dos-economistas-%e2%80%93-parte-1</link>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 16:26:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milton Tavares Campos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>

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		<description><![CDATA[Há alguns dias atrás recebi um convite para assistir a uma palestra sobre investimentos promovida por um grande banco em Belo Horizonte. Resolvi comparecer, mais por curiosidade. A maior parte da platéia era constituída de pessoas com alguns investimentos nas várias modalidades oferecidas pela instituição. O palestrante tinha lá seus vinte e tantos anos, vestia uma terno justo combinando com a gravata cinzenta, cabelo espetado e gelatinado, e falava de forma intermitente como uma metralhadora, sem permitir que a platéia mastigasse seus pensamentos, empurrados de forma contínua, sem decodificação. Além da idade eu tentava identificar o sotaque do palestrante e sua formação acadêmica. Ao final de uma análise de conjuntura que misturava indicadores econômicos, financeiros e uma pequena pitada de política, para dizer que ela não atrapalhava, concluiu que os problemas do mundo estavam se resolvendo, e a melhor coisa era acreditar que tudo ia dar certo. Daí, ao final, apresentou o cardápio de investimentos financeiros oferecido pelo banco. Esperei mais de uma hora de palestra para me aproximar do palestrante. Descobri que ele era mineiro de nascimento, mudou-se para o Rio e depois de estudar Administração de Empresas e de fazer um MBA em Finanças, voltou para Belo Horizonte. Nos dias seguintes, ao receber a notícia do colapso da economia grega, a gravidade da situação de Portugal, Espanha, Itália e Japão percebi que aquela palestra devia se referir a outro planeta, ou época. Mas bom vendedor é para épocas difíceis. Viajei para meu tempo de estudante na Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG no final dos anos 70, onde fui militante do Centro de Estudos de Economia, que era o guardião da nossa formação acadêmica. Sem descuidar das estatísticas e das disciplinas de cálculo, nossa formação era muito zelosa com o estudo da geografia e da história, incluindo a história do pensamento econômico. A análise da conjuntura que treinávamos nos auditórios, nos bancos e nas bancas acadêmicas, era lastreada no domínio dos efeitos do tempo histórico sobre as atividades humanas em sua espacialidade, sobre a cultura e o pensamento. A conjuntura analisada era percebida como parte de um movimento de longo prazo permeado por uma multiplicidade de condicionantes que se entrelaçavam. A complexidade, ao invés de confundir, ajudava a iluminar o futuro próximo. John Maynard Keynes na sua “Teoria Geral” afirma que “políticos práticos, que se consideram isentos de qualquer influência intelectual, são na verdade invariavelmente escravos de algum [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-3270  aligncenter" title="image001" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/07/image001.png" alt="" width="318" height="416" /></p>
<p>Há alguns dias atrás recebi um convite para assistir a uma palestra sobre investimentos promovida por um grande banco em Belo Horizonte. Resolvi comparecer, mais por curiosidade.</p>
<p>A maior parte da platéia era constituída de pessoas com alguns investimentos nas várias modalidades oferecidas pela instituição. O palestrante tinha lá seus vinte e tantos anos, vestia uma terno justo combinando com a gravata cinzenta, cabelo espetado e gelatinado, e falava de forma intermitente como uma metralhadora, sem permitir que a platéia mastigasse seus pensamentos, empurrados de forma contínua, sem decodificação. Além da idade eu tentava identificar o sotaque do palestrante e sua formação acadêmica.</p>
<p>Ao final de uma análise de conjuntura que misturava indicadores econômicos, financeiros e uma pequena pitada de política, para dizer que ela não atrapalhava, concluiu que os problemas do mundo estavam se resolvendo, e a melhor coisa era acreditar que tudo ia dar certo. Daí, ao final, apresentou o cardápio de investimentos financeiros oferecido pelo banco.</p>
<p>Esperei mais de uma hora de palestra para me aproximar do palestrante. Descobri que ele era mineiro de nascimento, mudou-se para o Rio e depois de estudar Administração de Empresas e de fazer um MBA em Finanças, voltou para Belo Horizonte.</p>
<p>Nos dias seguintes, ao receber a notícia do colapso da economia grega, a gravidade da situação de Portugal, Espanha, Itália e Japão percebi que aquela palestra devia se referir a outro planeta, ou época. Mas bom vendedor é para épocas difíceis.</p>
<p>Viajei para meu tempo de estudante na Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG no final dos anos 70, onde fui militante do Centro de Estudos de Economia, que era o guardião da nossa formação acadêmica. Sem descuidar das estatísticas e das disciplinas de cálculo, nossa formação era muito zelosa com o estudo da geografia e da história, incluindo a história do pensamento econômico.</p>
<p>A análise da conjuntura que treinávamos nos auditórios, nos bancos e nas bancas acadêmicas, era lastreada no domínio dos efeitos do tempo histórico sobre as atividades humanas em sua espacialidade, sobre a cultura e o pensamento. A conjuntura analisada era percebida como parte de um movimento de longo prazo permeado por uma multiplicidade de condicionantes que se entrelaçavam. A complexidade, ao invés de confundir, ajudava a iluminar o futuro próximo.</p>
<p>John Maynard Keynes na sua “Teoria Geral” afirma que “políticos <em>práticos</em>, que se consideram isentos de qualquer influência intelectual, são na verdade invariavelmente escravos de algum economista ou filósofo morto”. Enfim, os economistas ao lado dos filósofos foram, ou eram, considerados fundamentais para o conhecimento humano. Ainda hoje a economia é considerada uma ciência importante. Afinal de contas não existe Prêmio Nobel de Engenharia ou Administração, nem de Filosofia, nem de Informática. Existe sim Prêmio Nobel de Química, Física e Medicina, que são ciências, a última, ciência aplicada. Existe também o de Literatura voltado para a linguagem que é o arcabouço do conhecimento, e o da Paz, para prestigiar as iniciativas ousadas no campo político que levem à paz, que, na definição de Mahatma Gandhi, é a mais perfeita obra do homem.</p>
<p>Os economistas foram contemplados entre os grandes cientistas e pensadores com este prêmio que tem por objetivo incentivar a pesquisa independente. Aí me vem à lembrança o orgulho da “minha” faculdade por cerca de duas dezenas de ministros de estado saídos de seus bancos. E então me pergunto: o que aconteceu com os economistas? Depois do Consenso de Washington chegaram à conclusão que houve “O Fim da História”. Alguém escreveu um livro com este título, embora o tenha renegado. Mas a formação dos “economistas” ficou definitivamente marcada pelo Consenso, pelo Pensamento Único. Querendo importar a positividade dos engenheiros, os currículos dos cursos de economia foram dominados por cálculos “econométricos” regredindo à antiga “Lei de Say” que dizia que “toda oferta gera sua própria demanda”, e em conseqüência voltaram a acreditar na “mão invisível” de Adam Smith, que regula o mercado prescindindo de qualquer instrumental de análise histórica, espacial ou cultural.</p>
<p>Como o próprio nome diz, a mão é invisível, e sua dinâmica misteriosa, e assim o prestígio é atribuído a quem constrói o algoritmo mais prático e “racional” para se determinar para onde irão as bolsas de valores, o câmbio, a produção, o consumo, os investimentos, a poupança, enfim, como a riqueza será gerada e apropriada. As dinâmicas espaciais, setoriais, culturais, são desprezadas como teóricas e subjetivas, na medida em que não se enquadram nos modelos dos econometristas da moda.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-3272  aligncenter" title="image004" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/07/image0041.jpg" alt="" width="167" height="110" /></p>
<p>Trago aqui um trecho do artigo “<em>Milton Santos</em><em>: Por Uma Outra Globalização &#8211; A De Todos”</em><em> </em>do professor Délio Mendes da Universidade Católica de Pernambuco, com citações de Santos.</p>
<p>“Cientistas sociais dos mais diferentes matizes sucumbem aos encantos da facilidade dos números e do falso realismo de uma formulação econômica ideologizada, que esquece os seres humanos e os substitui pelas equações e as tabelas estatísticas que ilusionam os dirigentes e metem medo a todos os que não querem padecer no inferno apontado pelos proclamadores da nova única. Se não aceitas as premissas e as evidências das projeções estatísticas da nova única, serás responsável pelo caos que há de vir!</p>
<p>Empobrece a ciência social em geral, nada para além da numerologia estatística. Investir nos setores sociais acarreta um custo que o capital não se propõe a pagar, e a ciência se curva, entra em letargia, deixa o mundo nas mãos dos “novos” economistas que vão levá-lo adiante de mãos com a lógica da relação produto-capital e da competitividade. A ciência humana se faz pobre para interpretar um mundo confuso e conturbado&#8230;  Este enfoque modernoso atinge por caminhos nunca dantes navegados a maioria das falas e dos discursos. Grandes farsas são inventadas e reinventadas. O privilégio continua privilegiando o privilegiado. &#8220;Os atores mais poderosos se reservam os melhores pedaços do território.” Inclusive do território do pensar para impedir o pensar. Apoderam-se das mentes e dos corações e, por conseqüência, das vidas no pleno movimento da vivência. Tudo isto no mundo da competitividade. A competitividade revela a essência do território, os lugares apontam para as lutas sociais, trazendo a tona virtudes e fraquezas dos atores da vida política e da sociedade.”</p>
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		<pubDate>Mon, 28 Jun 2010 13:34:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milton Tavares Campos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internacionais]]></category>

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		<description><![CDATA[Charge da semana de “The Economist”: “Barack Obama demitiu seu comandante no Afeganistão. Mas a preocupação real é que a guerra está sendo perdida”. Editorial de &#8220;The Economist&#8221; desta semana. “Um destemido Presidente Obama fez o General McChrystal pagar por sua insubordinação, mas o destemor presidencial não é uma verdade profunda.” “A América e seus aliados estão perdendo no Afeganistão. A crise mostrou que a propaganda americana está a beira da falência.” “Pode a coalisão liderada pelos EUA vencer no Afeganistão? Como? Mais de 1.000 mortos e 6.000 feridos, a popularidade de Karzai é decrescente.” “Mais de 1/3 das pessoas pesquisadas nas comunidades tribais apóiam os insurgentes. Os Talibans continua matando os lideres que não os apóiam.” “A possibilidade de impedir que a al-Qaeda tenha abrigo em remotas regiões do norte do Paquistão, Yemen e Somália se mostrou inviável.” “A retirada da OTAN pode deixar o Afeganistão em uma guerra cilvil que pode se alastrar pelo Paquistão, India, Iran e Rússia.” “Este veneno pode se voltar contra o ocidente. Seria uma humilhação se mostrar incapaz de enfrentar seus inimigos no mundo. E o povo afegão?” “Tendo invadido seu país, o Ocidente teria a obrigação de deixar ali uma situação decente. Esta guerra pode terminar numa retirada humilhante.” “Mas ninguém será bem vindo depois de tamanho fracasso.” Veja a matéria da BBC: “Chefe militar diz que conversas com Talibans devem começar logo”.: http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/10427983.stm Gen David Richards ex-comandante da OTAN no Afeganistão O premiê britânico David Cameron quer os 10.000 soldados ingleses fora do Afeganistão até 2015, ano de eleições. Já morreram 308 desde 2001. Só este mês foram 19. O general britânico David Richards defende que sejam abertas negociações com os talibans que comandam a insurgência. Quando George W Bush decidiu atacar o Afeganistão em 2001 argumentou que eles protegiam a al-Qaeda, mas não houve negociação a respeito. Bush queria solução militar. Hoje está comprovado que a al-Qaeda se esconde em vários lugares de paises aliados dos EUA como o Paquistão. As guerras foram iniciadas pelo fundamentalismo de Bush e de Blair. Agora precisa voltar a diplomacia: é a voz dos generais, pasmem!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Charge da semana de “The Economist”:</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-3161  aligncenter" title="image004" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/06/image0041.jpg" alt="" width="471" height="301" /></p>
<p>“Barack Obama demitiu seu comandante no Afeganistão. Mas a preocupação real é que a guerra está sendo perdida”. Editorial de &#8220;The Economist&#8221; desta semana.</p>
<p>“Um destemido Presidente Obama fez o General McChrystal pagar por sua insubordinação, mas o destemor presidencial não é uma verdade profunda.”</p>
<p>“A América e seus aliados estão perdendo no Afeganistão. A crise mostrou que a propaganda americana está a beira da falência.”</p>
<p>“Pode a coalisão liderada pelos EUA vencer no Afeganistão? Como? Mais de 1.000 mortos e 6.000 feridos, a popularidade de Karzai é decrescente.”</p>
<p>“Mais de 1/3 das pessoas pesquisadas nas comunidades tribais apóiam os insurgentes. Os Talibans continua matando os lideres que não os apóiam.”</p>
<p>“A possibilidade de impedir que a al-Qaeda tenha abrigo em remotas regiões do norte do Paquistão, Yemen e Somália se mostrou inviável.”</p>
<p>“A retirada da OTAN pode deixar o Afeganistão em uma guerra cilvil que pode se alastrar pelo Paquistão, India, Iran e Rússia.”</p>
<p>“Este veneno pode se voltar contra o ocidente. Seria uma humilhação se mostrar incapaz de enfrentar seus inimigos no mundo. E o povo afegão?”</p>
<p>“Tendo invadido seu país, o Ocidente teria a obrigação de deixar ali uma situação decente. Esta guerra pode terminar numa retirada humilhante.”</p>
<p>“Mas ninguém será bem vindo depois de tamanho fracasso.”</p>
<p>Veja a matéria da BBC: “Chefe militar diz que conversas com Talibans devem começar logo”.: <a href="http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/10427983.stm">http://news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/10427983.stm</a></p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-3162  aligncenter" title="image005" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/06/image005.jpg" alt="" width="226" height="170" /></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Gen David Richards ex-comandante da OTAN no Afeganistão</strong></p>
<p>O premiê britânico David Cameron quer os 10.000 soldados ingleses fora do Afeganistão até 2015, ano de eleições. Já morreram 308 desde 2001.</p>
<p>Só este mês foram 19. O general britânico David Richards defende que sejam abertas negociações com os talibans que comandam a insurgência.</p>
<p>Quando George W Bush decidiu atacar o Afeganistão em 2001 argumentou que eles protegiam a al-Qaeda, mas não houve negociação a respeito.</p>
<p>Bush queria solução militar. Hoje está comprovado que a al-Qaeda se esconde em vários lugares de paises aliados dos EUA como o Paquistão.</p>
<p>As guerras foram iniciadas pelo fundamentalismo de Bush e de Blair. Agora precisa voltar a diplomacia: é a voz dos generais, pasmem!</p>
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		<title>Itacambira festeja São Sebastião</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 17:09:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milton Tavares Campos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[O nome Sebastião deriva do grego sebastós, que significa divino, venerável, bem aventurado, supremo. Originário de Narbonne, sul da França (256 — 286 d.C.) e cidadão de Milão, foi um mártir e santo cristão, morto durante perseguição sob o imperador romano Diocleciano. De acordo com Actos Apócrifos, atribuídos a Santo Ambrósio de Milão, Sebastião era um soldado que teria se alistado no exército romano por volta de 283 d.C. com a única intenção de afirmar a fé dos cristãos, enfraquecidos diante das torturas. Sua liderança era admirada pelos imperadores Maximiliano e Diocleciano, este último casado com uma cristã, e por isso foi designado capitão da guarda pessoal &#8211; a Guarda Pretoriana. Por volta de 286, por se recusar a praticar atrocidades contra os prisioneiros cristãos, foi julgado traidor, e foi ordenada sua execução por meio de flechas, que se tornaram símbolo constante na sua iconografia. Foi dado como morto e atirado no rio, porém, Sebastião não havia falecido. Encontrado e socorrido por Irene (Santa Irene), foi depois levado novamente diante de Diocleciano, que ordenou então que fosse espancado até a morte. Como sua resistência foi muito grande, acabou sendo morto transpassado por uma lança. São Sebastião, adotado como padroeiro por policiais, militares e pelos fazendeiros é homenageado no dia 20 de janeiro por todo o mundo católico. É também padroeiro da cidade do Rio de Janeiro que inicialmente chamava-se São Sebastião do Rio de Janeiro. Em Itacambira, Alto Jequitinhonha, a história de Sebastião, soldado e mártir, foi lembrada no fim de semana de 16 e 17 de janeiro últimos. No sábado dia 16, grupos de folias visitavam as casas da cidade e dos povoados, e à noite barraquinhas com muitos fogos. No domingo o padre Honório participou da concentração dos cavaleiros numa fazenda próxima, de onde saíram em cortejo em direção à matriz de Santo Antonio, construída há mais de 300 anos. Enquanto isso a procissão subia até a parte alta da cidade, e em seguida se dirigiu à parte baixa para receber o cortejo de cavaleiros tendo à frente o Padre Honório e o cavaleiro Gilberto, aniversariante do dia, convidado a conduzir o estandarte. A missa, ao som da folia de reis com o ritmo africano, mostrava a capacidade da cultura brasileira de fundir todos os seus elementos estéticos de forma harmonizante. Como a celebração se deu ao ar livre para que também pudesse ser assistida pelas montarias, o padre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2143" title="Itacambira festeja São Sebastião" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/01/ita.jpg" alt="" width="500" height="344" /> O nome Sebastião deriva do grego <em>sebastós,</em> que significa divino, venerável, bem aventurado, supremo. Originário de Narbonne, sul da França (256 — 286 d.C.) e cidadão de Milão, foi um mártir e santo cristão, morto durante perseguição sob o imperador romano Diocleciano. De acordo com Actos Apócrifos, atribuídos a Santo Ambrósio de Milão, Sebastião era um soldado que teria se alistado no exército romano por volta de 283 d.C. com a única intenção de afirmar a fé dos cristãos, enfraquecidos diante das torturas. Sua liderança era admirada pelos imperadores Maximiliano e Diocleciano, este último casado com uma cristã, e por isso foi designado capitão da guarda pessoal &#8211; a Guarda Pretoriana. Por volta de 286, por se recusar a praticar atrocidades contra os prisioneiros cristãos, foi julgado traidor, e foi ordenada sua execução por meio de flechas, que se tornaram símbolo constante na sua iconografia. Foi dado como morto e atirado no rio, porém, Sebastião não havia falecido. Encontrado e socorrido por Irene (Santa Irene), foi depois levado novamente diante de Diocleciano, que ordenou então que fosse espancado até a morte. Como sua resistência foi muito grande, acabou sendo morto transpassado por uma lança. São Sebastião, adotado como padroeiro por policiais, militares e pelos fazendeiros é homenageado no dia 20 de janeiro por todo o mundo católico. É também padroeiro da cidade do Rio de Janeiro que inicialmente chamava-se São Sebastião do Rio de Janeiro. <img class="aligncenter size-full wp-image-2140" title="Itacambira festeja São Sebastião" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/01/ita2.jpg" alt="" width="500" height="374" /> Em Itacambira, Alto Jequitinhonha, a história de Sebastião, soldado e mártir, foi lembrada no fim de semana de 16 e 17 de janeiro últimos. No sábado dia 16, grupos de folias visitavam as casas da cidade e dos povoados, e à noite barraquinhas com muitos fogos. No domingo o padre Honório participou da concentração dos cavaleiros numa fazenda próxima, de onde saíram em cortejo em direção à matriz de Santo Antonio, construída há mais de 300 anos. <img class="aligncenter size-full wp-image-2141" title="Itacambira festeja São Sebastião" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/01/ita3.jpg" alt="" width="500" height="374" /> Enquanto isso a procissão subia até a parte alta da cidade, e em seguida se dirigiu à parte baixa para receber o cortejo de cavaleiros tendo à frente o Padre Honório e o cavaleiro Gilberto, aniversariante do dia, convidado a conduzir o estandarte. A missa, ao som da folia de reis com o ritmo africano, mostrava a capacidade da cultura brasileira de fundir todos os seus elementos estéticos de forma harmonizante. Como a celebração se deu ao ar livre para que também pudesse ser assistida pelas montarias, o padre convidou a todos os cavaleiros a permanecerem de chapéu para enfrentar o sol forte de um janeiro abrasador. <img class="aligncenter size-full wp-image-2142" title="Itacambira festeja São Sebastião" src="http://www.metro.org.br/wp-content/uploads/2010/01/ita4.jpg" alt="" width="500" height="374" /> Mas, em meio às falas de pessoas de todas as idades, o que mais impressionava, e não poderia passar despercebido a um ouvido mais atento, era a pronúncia de um português incrivelmente puro, isento de qualquer sotaque regional.</p>
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		<title>Carta aberta ao companheiro Paulinho Vanucchi</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Jan 2010 15:12:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milton Tavares Campos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Espaço do Leitor]]></category>

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		<description><![CDATA[Paulinho, te escrevo esta como ex-companheiro de cela no DOPS de São Paulo e do Presídio Tiradentes, e também como companheiro de militância no Partido dos Trabalhadores. Passamos juntos por momentos dramáticos de saber que companheiros estavam sendo mortos na tortura, e que outros que estavam presos seriam executados, e que a “grande mídia” iria noticiar mais uma “tentativa de fuga” ou um “tiroteio na resistência à prisão” para justificar aquelas mortes. Vivíamos momentos dramáticos quando, depois de passada a fase inicial de tortura, comum a todos nós, já numa situação mais relaxada no presídio, onde tínhamos acesso a jornais e rádio, o carcereiro simplesmente chegava na porta da cela, gritava o nosso nome e tínhamos cinco minutos para juntar numa sacola nossas poucas roupas pois uma escolta nos aguardava na portaria do presídio, e simplesmente não sabíamos para onde iam nos levar. Também vivemos aquela época de ouvir os gritos de companheiros nas salas de tortura no 3º andar da OBAN até que os gritos cessavam e concluíamos que aquele companheiro fora libertado de seu corpo e não mais seria supliciado. Tudo isso nos marcou a memória e nos temperou o espírito. Hoje nossos filhos, sobrinhos, até netos, bem como seus amigos e colegas, ao tomar conhecimento destas histórias passam a nos tratar de uma forma dupla e confusa, ora como vítimas indefesas, ora como heróis de uma resistência popular e democrática. Nessa situação eu sempre procurei desmistificar essa dupla e incoerente imagem, e o faço sempre que posso junto às pessoas que não viveram aquele período. Nós não éramos vítimas inocentes que foram apanhadas aleatoriamente nas ruas, éramos militantes conscientes, e pretendíamos fazer uma revolução derrotando as forças que estavam no governo, os militares, a super exploração do capital e o imperialismo arrogante que nos tratava como seu quintal. Tínhamos consciência que havíamos assumido uma postura de confronto, e que estávamos sujeitos a passar por torturas, prisões, a sermos assassinados e a ver nossos companheiros também passando por este massacre nas prisões. Portanto, vítimas inocentes não éramos. Nem tampouco heróis. Éramos jovens que, ao vermos a cidadania do povo castrada, as injustiças sociais, as arbitrariedades de quem manipulava o aparelho repressivo do estado, usando-o inclusive em causa própria, e por não aceitarmos que nosso país fosse colocado numa posição subalterna por potências internacionais, não vimos outro caminho senão aquele. Fomos levados à luta pelas circunstâncias de um processo de radicalização, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Paulinho, te escrevo esta como ex-companheiro de cela no DOPS de São Paulo e do Presídio Tiradentes, e também como companheiro de militância no Partido dos Trabalhadores.</p>
<p>Passamos juntos por momentos dramáticos de saber que companheiros estavam sendo mortos na tortura, e que outros que estavam presos seriam executados, e que a “grande mídia” iria noticiar mais uma “tentativa de fuga” ou um “tiroteio na resistência à prisão” para justificar aquelas mortes. Vivíamos momentos dramáticos quando, depois de passada a fase inicial de tortura, comum a todos nós, já numa situação mais relaxada no presídio, onde tínhamos acesso a jornais e rádio, o carcereiro simplesmente chegava na porta da cela, gritava o nosso nome e tínhamos cinco minutos para juntar numa sacola nossas poucas roupas pois uma escolta nos aguardava na portaria do presídio, e simplesmente não sabíamos para onde iam nos levar. Também vivemos aquela época de ouvir os gritos de companheiros nas salas de tortura no 3º andar da OBAN até que os gritos cessavam e concluíamos que aquele companheiro fora libertado de seu corpo e não mais seria supliciado.</p>
<p>Tudo isso nos marcou a memória e nos temperou o espírito. Hoje nossos filhos, sobrinhos, até netos, bem como seus amigos e colegas, ao tomar conhecimento destas histórias passam a nos tratar de uma forma dupla e confusa, ora como vítimas indefesas, ora como heróis de uma resistência popular e democrática. Nessa situação eu sempre procurei desmistificar essa dupla e incoerente imagem, e o faço sempre que posso junto às pessoas que não viveram aquele período. Nós não éramos vítimas inocentes que foram apanhadas aleatoriamente nas ruas, éramos militantes conscientes, e pretendíamos fazer uma revolução derrotando as forças que estavam no governo, os militares, a super exploração do capital e o imperialismo arrogante que nos tratava como seu quintal. Tínhamos consciência que havíamos assumido uma postura de confronto, e que estávamos sujeitos a passar por torturas, prisões, a sermos assassinados e a ver nossos companheiros também passando por este massacre nas prisões. Portanto, vítimas inocentes não éramos.</p>
<p>Nem tampouco heróis. Éramos jovens que, ao vermos a cidadania do povo castrada, as injustiças sociais, as arbitrariedades de quem manipulava o aparelho repressivo do estado, usando-o inclusive em causa própria, e por não aceitarmos que nosso país fosse colocado numa posição subalterna por potências internacionais, não vimos outro caminho senão aquele. Fomos levados à luta pelas circunstâncias de um processo de radicalização, mais que pela índole pessoal. A parte da juventude de nossa época que não se engajou nesta luta acabou indo se refugiar nas drogas, ou simplesmente caiu em depressão e foi incapaz de qualquer projeto de vida, fora a outra parte que “entrou para o sistema”, vendeu suas almas e arrastou suas existências tentando sobreviver com uns trocados aqui e outros ali. No extremo, outros, tornaram-se colaboradores do regime e foram arrumar emprego fácil, como os de dedo-duro e bate-pau, pois não encontraram melhores opções de sobrevivência. São essas figuras extremamente medíocres que muitos defendem que sejam julgadas porque mataram, porque assassinaram, porque torturaram, porque estupraram. São, no entanto, Paulinho, apenas a ponta do iceberg. Você há de concordar que são os culpados menos conscientes de tudo o que ocorria naquele momento em nosso país. Os que insistem em punir os bate-paus não estão deixando de fora aqueles que davam as ordens, que planejavam, apesar de nunca terem entrado numa câmara de tortura? E aqueles que legislavam, os que ficavam na imprensa dando cobertura? E aqueles que foram signatários do AI-5, plenamente conscientes de todas as suas conseqüências, como é o caso do Delfim Neto, que fala para todos que é amigo do Lula? Ou do Jarbas Passarinho que escreve nos jornais ironizando o que considera revanchismo contra os militares, simplesmente porque eles venceram a guerra, e que nós, recalcados, teimamos em não admitir a derrota? Você não percebe que eles criam uma cortina de fumaça para se protegerem? Você não acha que estes pequenos bate-paus acabaram virando bois de piranha?</p>
<p>Companheiro, você faz um bom trabalho à frente da Secretaria de Direitos Humanos, mas não deveria sair antes de jogar uma luz sobre os desaparecidos, permitindo que suas famílias saibam onde estão seus corpos, ou em que circunstâncias eles desapareceram, até mesmo se foram jogados no mar e aonde. Tenho certeza que o ministro Nelson Jobim e os comandantes militares podem colaborar para te dar acesso a estas informações. Mas para isso é preciso que você ajude a sociedade brasileira a entender que o importante é que tais fatos não mais ocorram. Para isso precisamos ter a grandeza da visão histórica. Punir torturadores neste momento não resolve nada, o que precisamos hoje é de resgatar a memória no contexto histórico, e se alguém tiver que ser punido são aqueles que hoje estão aí impunes e buscando a glória de terem saído vencedores de uma guerra, na qual o que faziam de fato era entregar o país para as potências estrangeiras, castrando a cidadania, a cultura e a auto-confiança do povo brasileiro. Pois bem, se eles nos derrotaram pelas armas de sua ditadura sustentada por seus patrões estrangeiros, nós os derrotamos pelo voto popular democrático, e estamos através do presidente Lula ajudando o povo brasileiro a encontrar seu lugar na história, sua cidadania, sua auto-estima. Creio que o ministro Jobim e os atuais comandantes militares também fazem parte desta conquista, e queria terminar dizendo que você, que acompanha o presidente Lula há tanto tempo, não deve sair do governo agora. Você ainda tem a importante missão de trazer as informações sobre os desaparecidos, para os familiares e pelo legado que representam para nosso povo e para a humanidade.</p>
<p>Quanto aos que foram responsáveis conscientes pela implantação da ditadura, a condenação será pelo esclarecimento dos fatos históricos. No entanto temos que saber escapar das armadilhas das cortinas de fumaça que eles criam, nos lançando contra os bate-paus que são meros bois de piranha, como o touro raivoso, que investe com toda sua força contra o pano por não conseguir enxergar o toureiro.</p>
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