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Uma casa sem livros

Publicado por Antonio Ângelo em Poesia
data: 01/02/2018

uma casa sem livros

Na casa sem livros um arco-íris
não se mostra na janela
nem um rio desliza
na sala
sob a mesa

Começa a manhã
quando nem se encontra
o canto do pássaro
O riso no quarto
e as molecagens das crianças
se contêm

Ao café, ao almoço
não tem o Seu Moço
com olhos cismarentos
de uma noite mal dormida
O avô conta casos
que ninguém ouve
garotos não querem brincar
à sombra da mangueira
numa tarde sem cigarras

A mocinha não foge para longe
para uma ilha fantástica
onde a esperam príncipes
À distância um horizonte
desaba esmagado pela indiferença

Não há a melodia inesperada
a lembrança de um Hamlet
um reino de Narizinho
os feitiços de Gabriela

Nem congado chegando à porta
bandeira cheia de vidrilhos
penachos, moçambiqueiros
dançadores em roupas multicores
o salve dono da casa

Não se percebe
a fragrância em um vidro de perfume
que ela esqueceu no guarda-roupas
dramas de Shakespeare
nudezes castigadas, audazes mosqueteiros
fugas e refugas de bandos no grande sertão

Numa casa sem livros
não se descobre
num dia de silêncio
o relógio sem ponteiros
o brando aceno de mãos
nem quando vem a noite
se presencia qualquer luz
alumiando a página sagrada

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Antonio Ângelo -
3 Comentários
  1. Gislaine

    Antonio Ângelo, a casa sem livros é pobre de cultura e perde o encantamento dos poemas desse ótimo poeta.

  2. aminthas

    cordial amigo. Ao ler o seu poema me dei conta de sua erudição.de seu conhecimento literário. E todo ele me levou ao ” O TEMPORAL”..
    Seu premio de contos na PETROS, assim tomo a liberdade de transcrever uma parte que é única; Feitiço pacientemente esperava.
    Uma vez montado, deixou ao cavalo decidir o caminho a seguir . Para Seu Avair, em nada importava o destino. Qualquer um seria indiferente. Completamente indiferente. Homenagem a sua inteligência Aminthas

  3. wesley

    Neste mundo (congado) ainda com alguns poetas, salve antonio angelo, o dono da casa, com seus livros, poemas e palavras em eterna ebulição percorrendo inspirados corredores, indo e vindo pelas portas e janelas sempre abertas. Salve salve.

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