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A moça da lanchonete

Publicado por Antonio Ângelo em Poesia
data: 11/07/2014

A moça da lanchonete
lá está em meio a neons, cartolinas com preços,
talheres, mamões, laranjas, pencas de bananas
e o brilho de copos Lagoinha.

Este pede um misto quente,
aquele uma vitamina de frutas,
ainda outro insinua:
- Ah menina, quem me dera sua mãe como sogra!

A moça da lanchonete sorri,
a moça da lanchonete
tem pele morena, longos cabelos retidos na touca
e olhos grandes, vívidos, ávidos.

Em meio à algazarra do centro,
com seus decibéis de ruídos,
incontáveis clientes entram na lanchonete
e mal observam sua faina incansável.

Mas existe um certo rapaz
que de quando em vez aparece
e sempre lhe pede um cafezinho,
tão somente um cafezinho.

Ninguém desconfia, mas só ele sabe
das paisagens que habitam aquele corpo,
que em certas noites se despoja
e lhe permite entrever sem véus
os mistérios da origem do mundo.

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Antonio Ângelo -
3 Comentários
  1. E aí Ângelo … grande poeta!

  2. Sérgio

    Ângelo, poetinha, toca a lira e resgata Eurídice da lanchonete.

  3. Gislaine

    Oi Angelo,
    Muito prazeiroso ler o que voce escreve. E tudo vira conto, vira poesia,vira vida.

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