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A menina da Savassi

Publicado por Antonio Ângelo em Poesia
data: 06/01/2016

A menina da Savassi


De onde ela veio, ainda os cabelos molhados,
que de repente aparece atravessando a Colombo?

Na manhã estival, como que numa trama dos deuses,
eis que surge a linda moça da Savassi!

De shortinho desfiado, coxas morenas,
com que graça desliza sobre o asfalto!

Raios de sol brincam na barriguinha exposta,
piercing no umbigo, beija-flor tatuado alçando voo da pelve.

Avança em leve requebro,
dos rapazes – quão rapaces! – atraindo cúpidos olhares.

Parece até que para melhor admirarmos
mais delonga o sinal que fecha o tráfego.

Não se sabe em que mistérios – oblíquas intenções -
acampam seus olhos de cigana arisca.

Praias não há a esperá-la, nem ondas onde brincar,
filha que é da metrópole mediterrânea.

O que levou a despertar tão cedo num sábado
quem certamente não fez da noite um refúgio?

Talvez um encontro na Liberdade?
Papo com amigas no shopping?

A Bela da Savassi não tem satisfações a dar,
apenas e tão somente

vira a esquina, desce a Pernambuco,
rumo a sabe-se lá que inescrutáveis deleites.

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Antonio Ângelo -
5 Comentários
  1. Maurício Sales

    Aleluiah, aleluiah, para todo o sempre, louvemos as meninas da Savassi.

  2. Gislaine

    “Quem não vai de Nova York vai de Madureira…” Quem não tem Ipanema vai de Savassi.

  3. Wesley

    Esse Ângelo… O que faz o poeta na Savassi nessa manhã estival de sábado? Para onde vai? De onde vem? Saberá ele de antemão quem lhe cruza o oblíquo caminho rumo a marte, onde um dia interminável apenas se inicia? Leva a caneta no bolso para escrever suas apreciadas pérolas quando chegar a alguma água furtada em Bom Despacho de Santo Antônio? Um olhar do poeta, não poucas vezes, abarca o mundo inteiro, já dizia Lucio Carlos Ferraz, coberto de razão.

  4. aminthas

    ai,ai.ai!

  5. Levindo

    BH sempre teve MENINAS assim como esta.
    Guardo com muito carinho as lembranças
    que ainda hoje tenho,das belas aí existentes;
    nos anos 60 e 70,quando aí viví!

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