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A Aldeia Submersa

Publicado por Antonio Ângelo em Poesia
data: 17/07/2013

No próximo inverno
quando sobre Ibitira
reluzirem incontáveis vagalumes

e de Kaolin ninguém tiver notícia

no próximo inverno
quando o Xamã rememorar
o brado de guerra de Ibirajara

abatido pela fúria dos yanks

no próximo inverno
apenas o ápice da árvore
acima da linha d’água

e o rugir sem fim das turbinas

as noites serão brancas
fantasmagóricas sombras no vale
Eirapuã cintilando no horizonte

sobreviventes da tribo
em procissão à margem do lago
ao peso de tantas derrotas

lembrarão a aldeia submersa
taperas inundadas
danças de guerra de antanho

no terreiro onde agora
peixes sobrenadam
resistindo ao sorvedouro

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