Como ganhar a guerra com um soldado desses?
Publicado por Antonio Carlos Santini em Crônicas, Internacionais
Ao ler o noticiário sobre as guerras que os EUA travam no Iraque e no Afeganistão, lembro-me da guerra do Vietnã e vejo que nada mudou: os generais pedem mais e mais soldados, e o presidente dos EUA, Barack Obama, não consegue negar: “Jamais vou trair os soldados!”, diz o presidente das mudanças.
Antes só?
A moda vem dos EUA. Uma sociedade ancorada no extremo individualismo e em busca do máximo de conforto e prazer – o tal hedonismo da modernidade! – gera indivíduos incapazes das velhas noções de sacrifício, altruísmo e dedicação à família. Assim, aumenta o número dos que optam por viver sozinhos em um apartamento. Em Estocolmo, Suécia, anos 80, ¾ da população morava em solitários apartamentos da capital.
Como pano de fundo, a percepção de que o “outro” incomoda e atrapalha, pede concessões e exige o exercício de doídas virtudes, como paciência, compreensão e, claro, o perdão. Outros valores se sobrepõem à geração e à educação de filhos: fazer carreira, gerir negócios, acumular patrimônio a curto prazo ou, simplesmente, “curtir” a vida.
Em paralelo, velhos chavões se repetem: “criança dá muito trabalho”; “pra que botar filho num mundo como este?” Conseqüência? No Brasil, os casais sem filhos subiram de 997 mil em 1997 para 1,94 milhão em 2007.
Reina a pedofobia – a aversão por crianças. E os dinks, sigla do inglês double income and no kids – dupla renda e nenhuma criança, são os novos “casais” que se juntam, mas fogem de filhos como o diabo da cruz. Sinal dos tempos?
Procura-se um pai…
Em “O Globo” de 25/09/08 a socióloga da Unicamp Elisabete Dória Bilac apontava novo aspecto do Brasil: já não é padrão obrigatório o casamento com filhos. A “Folha de São Paulo” de 10/08/08 apresentava mulheres que se queixavam da dificuldade em encontrar um companheiro que, além de intimidades, quisesse assumir a paternidade e constituir uma família-padrão.
Anúncio de jornal em Porto Alegre proclamava: “Mulher solteira procura homem interessado em ser pai”. Assinava a súplica uma engenheira, 33 anos, com pós-graduação e independência financeira. Até onde se sabe, o candidato não apareceu. Quais as razões dessa fobia?
Tô fora!
Um publicitário citado pela “Folha” encolhe-se todo: “A gente se sente um reprodutor. A menina te vê duas, três vezes, e já está pensando em casar e ter filhos. Tô fora!” A promotora de vendas suspira: “Está difícil encontrar alguém disposto a namorar sério, ser um pai de verdade para o filho que desejo ter”. O advogado é curto e grosso: “Parece que depois dos 30 anos as mulheres andam meio neuróticas com essa idéia de filho. É uma chatice e esfria o namoro. Não tenho vontade de ter filhos”.
Para justificar a opção não-reprodutiva, as finanças aparecem em primeiro lugar. Fica muito caro criar filho, pagar escola de qualidade. Com a má qualidade dos serviços de saúde e de educação do Estado, os filhos oneram e desestimulam o casal.
O pai ausente
Curiosamente, a afirmação do próprio “eu” sempre andou de braços dados com a recusa de filhos. Jean-Jacques Rousseau, profeta do egoísmo, jamais reconheceu legalmente os próprios filhos. Sem dose consistente de altruísmo (outro nome do amor), a paternidade é um peso e a maternidade uma cruz.
O psiquiatra social Tony Anatrella escreve: “Rupturas, medo de se casar, medo de ter filhos: eis três problemas intimamente relacionados entre si, diante dos quais está a família contemporânea. Mas o problema onipresente, deplorado sem cessar há anos, e que pode ser considerado a um só tempo origem e conseqüência de todos os que já mencionamos, é o da “ausência do pai”. Este problema volta sem cessar, como uma queixa, enquanto a maioria dos homens-pais, genitores, que está em seu lugar e se preocupa com o bem-estar e a educação dos filhos, em suma, não desertou. Como não se dá importância alguma ao lugar e ao papel simbólico do pai, os indivíduos já não são convidados a se envolver na busca de vínculos sociais ou amorosos”.
Outro fantasma se infiltra no cenário: uma sociedade feita de indivíduos fechados em seu microcosmo particular, órfãos de si mesmos, sem responsabilidade social, sem amor à pátria. E eu, morrendo de dó do aparentemente bem intencionado Obama, fico pensando na ingenuidade dos generais: como ganhar a guerra com um soldado desses?


Milton Alberto Albuquerque - Sete Lagoas - MG
29/12/2009
Prezado Santini,
Fui da CENA núcleo de Sete Lagoas. Hoje prego na RCC/Sete Lagoas Grupo de Oração de Cura e Libertação Anjo Rafael – toda 2ª feira às 19 horas.
Voce não deve lembrar de mim. Mas eu não esqueço de suas pregações no Santa Marcelina e aprofundamentos da CENA em Sete Lagoas.
Seu artigo, como não poderia deixar de ser. Mostra como é complicado ser Cristão/Católico no mundo de hoje.
Nossa responsabilidade de evangelizador é grande! O homem precisa de conhecer Nosso Senhor Jesus Cristo.
A paz de Jesus.
Se puder me dê um retorno.
Milton Alberto Albuquerque
29/12/2009
Enquando aguardo a aprovação do comentário. Acrescento:
O Grupo de Oração Anjo Rafael acontece toda 2ª feira às 19 horas no Santuário da Adoração – Centro – Sete Lagoas