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A violência nos esportes

Publicado por Antonio Carlos Santini em Futebol, Religião
data: 15/07/2014

Em seu blog (jornal “O Globo”, 23/maio), sob o título “O fanatismo esportivo”, o jornalista Ilimar Franco escrevia: “No Brasil fala-se muito nos protestos na Copa num desdobramento de junho de 2013. Mas no exterior o temor é com a violência de torcidas organizadas. A Argentina mandou uma lista de 2 mil fanáticos. Os hooligans de Itália, Inglaterra e Alemanha estão sendo alertados por seus governos sobre medidas de segurança adotadas aqui. Os casos de intolerância crescem. Centenas de câmeras estão instaladas dentro e fora dos estádios”.

Tempos atrás, uma amiga me escrevia assustada com as cenas de violência nas competições esportivas. Entre outros aspectos, ela comentava: “As câmeras sedentas buscam o melhor ângulo das lutas corporais, do ódio que emana de cada lutador. Como bichos enfurecidos, ferozes, são soltos da jaula para os estádios ou fora deles. Já ouvi psicólogos, jornalistas, comentaristas de futebol, entendidos, tentando explicar os atos da ‘boiada desenfreada’”.

Como pedisse minha opinião sobre o assunto, respondi-lhe:

Cara E., li com interesse a sua reflexão. A violência que nos envolve não é coisa nova. Nas arenas do Império Romano os gladiadores se matavam para divertir o público. Nos mesmos “circos”, os leões devoravam os mártires cristãos sob aplausos dos cidadãos romanos.

Em nossos dias, muita gente sente prazer em assistir a lutas na TV, UFC, boxe etc. Nas lutas de boxe, paga-se muito caro para ocupar nas primeiras cadeiras em volta do ringue, pois nelas chega a espirrar sangue. Em alguns países, ainda é lícito realizar touradas, quando os animais são feridos e mortos.

A violência é um impulso natural no bicho homem. O esforço de alguns evangelizadores sempre esbarrou nessa inclinação humana para a violência, manifestada nas invasões, apropriação de territórios, rapto de mulheres e de gado, estupro etc. Em sua segunda página, a Bíblia mostra irmão assassinando irmão. Esaú e Jacó digladiavam ainda no útero materno. Foi preciso que viesse até nós o Filho de Deus para oferecer a outra face e aceitar a morte injusta “como um Cordeiro mudo”.

No caso do futebol e outros esportes, como o hóquei sobre gelo, já faz algum tempo que um espírito de ódio tomou conta do cenário. No cinema e na TV, o espírito é de prostituição. Estamos regredindo para uma sociedade neopagã, onde Marte e Vênus – os deuses da guerra e do erotismo – recebem o culto do mundo pré-cristão.

Não por acaso, os novos estádios recebem o nome de “arenas”, o que apenas acentua o lado bélico da situação. Sopapos, coices e mordidas parecem bem-vindos. Com tudo isso, os esportes – que poderiam ser utilizados como método educativo, onde os competidores seguissem regras e normas civilizadas – passam a ser meras metáforas da guerra, quando qualquer recurso parece justificar a vitória.

A questão passa a ser esta: esses espetáculos de agressão ainda são lícitos a um cristão fiel à mensagem do Evangelho?

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Antonio Carlos Santini - Licenciado em letras – Português e Francês. Professor de Artes e Ciências Humanas. Evangelizador, compositor, autor de vários livros de catequese e poesia/ Licenciado en letras - Portugués y Francés. Profesor de artes e ciencias humanas. Es evangelizador católico, compositor de músicas religiosas, autor de varios libros de catequesis y poesía. Residente em Belo Horizonte MG
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