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A triste arte de sobrenadar

Publicado por Antonio Carlos Santini em Religião
data: 11/08/2017

A triste arte de sobrenadar
Foto: ufunk

Na Segunda Guerra mundial, um astuto almirante japonês “bolou” uma isca para caçar submarinos ianques: velhos cargueiros com os porões abarrotados de… bolas de pingue-pongue. O ávido submarino vinha à tona e lançava um ou dois torpedos. Ainda que acertassem o alvo, o cargueiro não afundava.

Na ânsia de levar a cabo a missão, os atacantes se demoravam na superfície para lançar novos torpedos, dando tempo aos destróieres japoneses de contra-atacar e atingir o submarino com bombas de profundidade.

Bolas de pingue-pongue, cheias de ar, não submergem. Foram feitas para a superfície. Também na vida espiritual, para ir ao fundo é preciso esvaziar-se… Pena que estejamos tão cheios, tão ocupados!

Bem, para falar francamente, ocupados com ninharias e futilidades. São pequenos programas, encontros fugidios, tudo à flor da pele, como no “Sinal Fechado” de Chico Buarque. Nesse “clima”. Nada chega ao fundo de mim… O próprio trabalho se transforma em mecânica repetição, sem alma e sem alegria, que apenas ocupa a epiderme de meu ser. Até o encontro de amor resvala na rotina, tecido de peles que se roçam, enquanto o verme da solidão continua a roer o âmago do ser. Mesmo um ato sacramental, seja a confissão dos pecados, seja a comunhão eucarística… pode ser vivido na periferia: mecânico, frio, marginal…

Bolas de pingue-pongue? Sim! Cheias de TV, novelas de lágrimas fingidas, dramas impostados, “desafios” previsíveis, sucessos fabricados. Você se deita, fecha os olhos na escuridão, e lá está o ruído. Ele pulsa. Lateja. Estende uma capa de cimento entre você e seu interior.

E lá dentro? Ora, lá dentro habita o Espírito de Deus. Tenta comunicar-se. Clama por sua atenção. Mas você não consegue ouvir, hipnotizado pela tragicomédia das horas que passam.

De vez em quando, alguém se liberta. Galvanizado pela graça, rompe com as modas e as normas. Quebra o contrato com o capital e a fama. Esvaziado e livre, salta do trampolim mais alto e vai ao fundo.

Ali, Deus o esperava. E o encontro se faz…

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Antonio Carlos Santini - Licenciado em letras – Português e Francês. Professor de Artes e Ciências Humanas. Evangelizador, compositor, autor de vários livros de catequese e poesia/ Licenciado en letras - Portugués y Francés. Profesor de artes e ciencias humanas. Es evangelizador católico, compositor de músicas religiosas, autor de varios libros de catequesis y poesía. Residente em Belo Horizonte MG
Comentário
  1. Marli

    O importante é que nesses mergulhos interiores conseguimos respostas para muitas perguntas e curas para muitos males.

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