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Países Emergentes e Países Estagnados – parte 1

Publicado por Afonso Machado em Energia, Globalização, Internacionais
data: 14/10/2009

Nesses tempos de crise mundial muito se tem falado dos países emergentes. Os países do chamado G7, como eram chamados antes de incorporar a Rússia no G8, arrogantes senhoras e senhores, chefões da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN, Senhores das Armas, os novos gendarmes do mundo pós-guerra fria, se deram ao luxo, durante as comemorações dos 200 anos da Revolução Francesa em 1989 de se sentarem em uma mesa separada dos demais chefes de estado. Me lembro do então presidente da República Federativa do Brasil, José Sarney, humilhado junto com outros subdesenvolvidos, sentado numa mesa periférica, longe dos convidados de honra. Certamente a refeição não devia ser a mesma, nem a qualidade dos serviços, nem o vinho.

Agora acabou o G8 também. A OTAN ainda não. A OTAN é necessária para não deixar encerrar a corrida armamentista e portanto não deixar em maus lençóis a Indústria de armamentos, grande financiadora das campanhas políticas no primeiro mundo. Vocês já imaginaram se algum maluco propusesse acabar com a OTAN e transferir suas atribuições para o Conselho de Segurança da ONU ampliado e fortalecido? Que pretexto o King Jong Il e o Mahmoud Ahmadinejad teriam para fazer armas nucleares? Um importantíssimo setor da economia mundial estaria em risco, e as consequências seriam imprevisíveis. Centenas de milhares de postos de trabalho seriam extintos! E certamente muitos famintos improdutivos deixariam de morrer nas dezenas de conflitos armados mundo afora.

Bem, se não estamos correndo este risco, voltemos ao fim do G8. Agora temos o G20. Por falar em 20 fizemos aqui um levantamento estatístico dos 20 maiores países do mundo, ou melhor 21.  Não são exatamente os do G20, mas poderiam ser. Por que criaram o G20? Por um motivo simples: como o furacão da recente crise mundial colocou em seu “olho” os países do G8, eles convidaram outros comensais do grupo dos “emergentes”, não para o banquete dos 200 anos da Revolução Francesa, mas para um sanduíche frio com refresco, em pé, na carrocinha da esquina.

Voltemos ao sanduíche, digo, ao prato principal. O que são países emergentes? Nós só conseguimos entender um conceito se conseguirmos definir seu oposto. Qual é o oposto de países emergentes? Eu responderia: países estagnados, ou seja, aqueles que estão perdendo e cedendo espaço para os emergentes. Admitido o conceito, como medir isto?

Estou propondo um indicador muito usado por economistas e geógrafos: a produção de energia elétrica. Temos para isto o Relatório 2009 da Statistical Review of World Energy, ou Revista Estatística da Energia Mundial. Optamos pelo indicador de produção de energia elétrica de uso múltiplo: residencial mais produtivo.

Vejamos os resultados. Primeiramente vamos comparar as seis grandes regiões geoeconômicas adotadas por aquela revista:

1) A América do Norte;

2) As Américas do Sul e Central;

3) A Eurásia, ou seja a Europa com a parte da Ásia ligada ao Mediterrâneo ou Mar do Norte;

4) A Ásia Pacífico que abrange a Ásia voltada para o Oceano Pacífico mais a Oceania;

5) O Oriente Médio, parte da Ásia voltada para o Mar Vermelho e o Golfo pérsico;

6) E finalmente a Mama África.

Os gráficos que fizemos são muito simples. Primeiramente são comparadas as seis regiões adotadas, depois uma outra série de gráficos compara os 21 países mais importantes. Como não podemos comparar alhos com bugalhos, os gráficos só são úteis se agruparmos os países por faixas, ou seja, comparamos aqueles que “se embolam” disputando as mesmas colocações.

RESUMO:

O que se está comparando nas tabelas e gráficos?

Resposta: Produção de Energia Elétrica

Períodos adotados para comparação: biênios, a partir de 1990 até 2008.

Como é feita a comparação:?

Resposta: Pelo percentual da participação no Total Mundial de cada Região ou Continente ou País.

Fonte: Revista Estatística de Energia Mundial, Relatório 2009

Geração de Eletricidade por Continente

1º Gráfico: Comparação das três principais regiões produtoras de energia do mundo

Comparação das três principais regiões produtoras de energia do mundo

 

2º Gráfico: Comparação das outras três regiões do mundo.

Comparação das outras três regiões do mundo.

 

PRODUÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA POR PAÍSES – 21 MAIORES

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3º Gráfico: EUA e China: os dois maiores

EUA e China: os dois maiores

 

4º Gráfico: Japão, Federação Russa e Índia, 3º, 4º e 5º colocados

Japão, Federação Russa e Índia, 3º, 4º e 5º colocados

 

5º Gráfico: Alemanha, Canadá e França, 6º, 7º e 8º colocados

Alemanha, Canadá e França, 6º, 7º e 8º colocados

 

6º Gráfico: Coréia do Sul, Brasil e Reino Unido: 9º, 10º e 11º lugares

Coréia do Sul, Brasil e Reino Unido: 9º, 10º e 11º lugares

 

7º Gráfico: do 12º ao 17º colocados

do 12º ao 17º colocados

 

E finalmente, 8º Gráfico do 18º ao 21º lugares

8º Gráfico do 18º ao 21º lugares

Leia também a parte II do artigo

Países Emergentes e Países Estagnados parte II

 

 

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Afonso Machado - Jornalista, residente em Belo Horizonte MG
2 Comentários
  1. Thiago Fagundes Lemos - Betim - MG

    essa publicação mostra a grande ascensão dos países emergentes, a
    tendência será cada vez mais aumentar com o passar dos anos, a tecnologia, a mão de obra qualificada cada vez vão abrindo espaço nesses países, que aumentam muito seu grau de consumo..

    gostei muito desta publicação
    abração a todos

  2. Mariangela

    Boa noite! Para efeito de um trabalho de faculdade, vcs teriam comparações entre o Brasil e demais países emergentes, que estejam no mesmo patamar? O Brasil é realmente um país emergente?

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