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FX2: Lula decide Caças nos próximos dias

Publicado por Afonso Machado em Políticas de Defesa
data: 08/01/2010

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Apesar das tremendas pressões da indústria de armamentos, que recorre a todos os esquemas imagináveis, inclusive um sofisticadíssimo aparato de lobistas para assediar os militares, imprensa, escalões técnicos, diplomáticos e até políticos, o presidente Lula deverá anunciar nos próximos dias sua escolha de caráter estratégico sobre um dos três modelos que chegaram à reta final da licitação para aquisição de 36 caças militares, chamada FX2.

Enquanto os franceses se aproximaram mais do presidente Lula e do Chanceler Celso Amorim, os suecos se empenharam num fortíssimo corpo-a-corpo com os militares, e os norte-americanos perderam a parada porque não conseguiram usar seu ponto forte, a diplomacia: a nomeação do embaixador para o Brasil está empacada no Congresso dos EUA há meses.

Graças a seu caráter democrático, pode se ver na internet uma farta discussão sobre os vários ângulos que condicionam a decisão de Lula. Nos atendo às fontes mais confiáveis, podemos fazer uma triagem dos principais argumentos a favor de cada um dos três modelos, quais sejam, o F-18 dos EUA, fabricados pela Boeing, o Rafale francês, fabricado pela Dassault e o Gripen sueco, fabricado pela Saab.

Vejamos os principais quesitos a serem ponderados:

1) Amadurecimento tecnológico dos projetos/modelos:

- F-18: este é o seu ponto forte, é o topo da evolução da geração F, que concorria com os Mig soviéticos desde a guerra do Vietnam, embora sem superá-los. É empregado em larga escala pela Marinha dos EUA, ideal para operar a partir de porta-aviões;

F-18

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- Rafale: projeto desenvolvido pelos franceses para substituir os Mirage, que fizeram sucesso na Força Aérea Israelense na guerra dos 6 dias em 1967 e em outras oportunidades. Ainda precisa de muito emprego prático e produção em escala para seu amadurecimento tecnológico;

- Gripen: projeto desenvolvido pelos suecos com interesses mais comerciais que estratégicos, visto que a Suécia não tem tradição de se envolver em conflitos. Nunca foi testado em combate, que é seu objetivo principal.

Gripen

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Eficiência técnico-econômica:

Evidentemente que este aspecto foi o objeto das etapas anteriores da licitação, em que os três modelos foram selecionados entre vários concorrentes iniciais. Apesar de este assunto ser muito complexo, requerendo ampla análise de especialistas, há um ponto visivel “a olho nu”, pois em se tratando de caças de combate, que devem ter uma mínima vulnerabilidade, o F-18 e o Rafale têm dois motores enquanto o Gripen só tem um.

Tecnologia:

O F-18 é produto da Boeing, que hoje é o resultado da fusão das indústrias de aeronáutica mais importantes dos EUA, como McDonnell, Douglas, etc, que têm larga experiência inclusive na área espacial. Disparadamente a grande vantagem tecnológica é do F-18 em relação aos dois concorrentes.

Rafale: a França iniciou este projeto junto com outros países europeus como Reino Unido, Alemanha, Itália e Espanha. Divergências sobre o tamanho do aparelho, e o questionamento da liderança francesa levaram os outros países a se unirem em outro projeto, o Eurofighter Typhoon, desenvolvido por um programa conjunto envolvendo as empresas Alenia Aeronautica, BAE Systems e EADS.

Gripen: sua grande desvantagem é a de depender de tecnologias difusas de vários países, principalmente a dos motores, produzidos pelo Volvo sob licença da GE norte-americana.

Transferência de Tecnologia

Os EUA vêm tratando o Brasil como um concorrente estratégico de potencial considerável. Isso data da época dos militares, mais precisamente do governo Geisel, quando foi chanceler Azeredo da Silveira e o Brasil apoiou o voto anti-sionista na ONU, se aproximando dos países árabes e rompendo o alinhamento automático com os EUA. Foi também desta época o Acordo Nuclear com a Alemanha que permitiu a construção das Usinas Nucleares de Angra dos Reis.

A transferência das “tecnologias sensíveis” nos EUA é controlada pelo Senado. Há uma sólida tradição diferenciando os aliados da OTAN, além de Israel e Japão, e exigindo a análise caso-a-caso para os demais clientes de sua indústria bélica.

Este ponto, que já foi definido pelo presidente Lula, pelo Chanceler Celso Amorim e pelo Ministro da Defesa Nelson Jobim como determinante, é o que vai pesar fundamentalmente a favor do projeto francês Rafale.

Rafale

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A França, totalmente ao contrário dos EUA, é um parceiro confiável, porque estrategicamente depende desta parceria com o Brasil para expandir sua indústria bélica para a América Latina e África, onde o Brasil tem reconhecida liderança.  A dependência francesa desta parceria aumentou muito, depois que os parceiros europeus da França passaram a alçar vôo próprio. Não nos esqueçamos da independência da França em relação à liderança dos EUA desde Charles DeGaulle, e só muito recentemente a França acedeu em entrar para a OTAN, mesmo assim de forma muito constrangida.

A França é favorável a mudanças na governança mundial com a substituição do G8 pelo G20, o que inclui o Brasil. Além de defender o assento permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU, é, dos quatro países que tem autonomia tecnológica na indústria de defesa, o que tem mais possibilidade de formar uma aliança estratégica com a América do Sul. Os outros três são EUA, Rússia e China.

A parceria da França com o Brasil foi consolidada com o Acordo de Parceria Estratégica firmado no final de 2008, que já deu como desdobramentos o contrato para a construção de cinco submarinos de ataque, inclusive o de propulsão nuclear e dos cinqüenta helicópteros militares. Lembre-se de passagem que a Helibrás, única fábrica de helicópteros da América Latina, situada em Itajubá, Sul de Minas, teve como sócios iniciais o Governo de Minas Gerais (controlador) e a Aerospatiale francesa. Hoje é controlada pela Eurocopter/EADS, líder mundial do setor, resultado da fusão da Aerospatiale com a Daimler-Chrysler. A Helibrás tem 300 profissionais altamente qualificados e já entregou mais de 500 unidades.

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Afonso Machado - Jornalista, residente em Belo Horizonte MG
5 Comentários
  1. Lucas Campos/Betim

    Esta é uma questão bastante complexa, uma discussão que infelizmente está fora do alcance da sociedade brasileira. Para acirrar os ânimos a turma do PIG (Partido da Imprensa Golpista)tenta dizer que o governo comete equívocos em ter mais afinidade em adiquirir os caças franceses, mas pelos meus poucos conhecimentos em aeronáutica, compreendo a posição do governo por uma série de questões.

    O F18 – É pelo menos para a opinião pública o melhor caça do mundo, porém os Estados Unidos não é confiável para se fazer este tipo de negócio. Os caças de treinamento da Embraer Tucano tem dispositivos de tecnologia norte-americanos e os Estados Unidos já embargaram vendas que o Brasil poderia fazer deste caça;

    O Grippen não é vantajoso apesar de ser o mais barato, porque eu penso que ele não é efetivamente de superioridade aérea. É um caça de apenas uma turbina, assim como o Mirage 2000, portanto tem pouca diferença trocar o Mirage 2000 (atual caça de superioridade da FAB) pelo Grippen;

    O Rafale, apesar de ser o mais caro, assim como o F-18, é um caça de primeiríssima linha e a França é sem dúvida o parceiro mais confiável para transferir tecnologias para o Brasil desenvolver o projeto FX-2.

  2. Zjunior/ Belo Horizonte

    Lucas, concordo com vc !
    Inclusive chega de pensar pequeno e se contentar com pouca coisa !
    O Brasil já é uma potência, e precisa se comportar como tal.
    O Rafale é um caça de primeiríssima linha, com muitos anos ainda para possíveis modernizações. A França é mais confiavel que os EUA, então….Vamos lá !
    O Rafale é mais caro?
    É, e dai?… Foda-se !!!!!
    Temos condições de bancar, não é mesmo?
    Não é possível que uma nação riquíssima como é o Brasil ( Amazônia, pré-sal, economia, etc…. ), não ter condições de garantir estes gastos!….
    A FAB precisa confiar mais no governo e pensar grande.
    Estamos entrando em uma nova fase mundial, e o Brasil será um dos principais personagens !

    “TEMOS QUE POSSUI O MELHOR, E QUASE SEMPRE O MELHOR É O MAIS CARO”.

  3. sergio grego

    Boa tarde caros amigos, é hora do Brasil mudar pra melhor. Chega de receber o pior, sempre fomos cachorros dos americanos, só que na era Lula as coisas mudaram. Antes os gringos chegavam no nosso país, pintavam e bordavam e ainda saiam dizendo que nossas mulheres eram prostitutas e os homens eram todos miseraveis e burros, logo depois que o presidente Lula assumiu, o Ministério da Justiça determinou que a Polícia Federal brasileira fotografasse e fizesse os gringos tocarem piano (colher impressoes digitais nas planilhas dactiloscópica) e logo no inicio um piloto americano da empresa American Air Lines fez um gesto obsceno com o dedo médio segurando uma ficha de identificação, resultado, tomou cana em flagrante por desacato, ficou guardado no Departamento de Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos, SP, e só depois de recolher a quantia de 33.000,00 mil reais foi lierado e deportado para os E.U.A sendo que esse lixo nunca mais poderá voltar nem a passeio para o Brasil. O presidente Lula fez um ótimo governo, está de parabéns e pra fechar com chave de ouro, só falta ele anunciar que o vencedor do projeto FX2 da FAB é a Dessault com o jato RAFALE F3BR. Grande abraço

    • Manoel

      Eu digo o mesmo, hoje o pais está em um outro patamar. Rafale já!

  4. Mario Celso

    Será que o Lula teve medo de errar, faltou visão ou seria um indeciso nato? Agora com a visita do Presidente Barack Obama os americanos vão usar toda sua diplomacia e a simpatia do presidente e sua familia para vender o seu caça. Até o candidato republicano derrotado por Obama, John McCain veio ao Brasil dar garantias de transferência de tecnologia. A Boeing propõe até multas pesadas para o descumprimento desta clausula. O problema é que nos Estados Unidos ninguem controla os Serviços Secretos. Estes é que consideram o Brasil uma ameaça a longo prazo e têm todo o poder para inviabilizar a transferência de tecnologia.

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